Ministro Demitido na Ucrânia: Zelensky Deve Ser Questionado Sobre Corrupção em Seu Governo, Diz Ex-Aliado

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Ex-ministro da Defesa ucraniano levanta suspeitas de corrupção no círculo íntimo de Zelensky e defende eleições democráticas em meio à guerra.

O cenário político da Ucrânia ganha contornos tensos com as declarações de Mykhailo Fedorov, ex-ministro da Defesa, que foi demitido recentemente. Fedorov, conhecido por sua atuação na modernização das forças armadas e na guerra de drones, sugere que o presidente Volodymyr Zelensky precisa prestar contas sobre a corrupção em seu governo.

As investigações recentes sobre lavagem de dinheiro, que envolvem parlamentares e banqueiros, teriam sido o estopim para as declarações de Fedorov. Ele acredita que Zelensky deve ser questionado sobre o conhecimento que possui acerca de possíveis casos de corrupção em seu círculo mais próximo.

Apesar das acusações indiretas, Fedorov ressalta que nunca presenciou o presidente se envolver em atos ilícitos. “Durante todo o tempo em que trabalhei com ele, nunca recebi dele qualquer tarefa ou incumbência que fosse contra a lei ou meu senso de integridade”, afirmou o ex-ministro em entrevista à BBC. A declaração foi divulgada após uma investigação de lavagem de dinheiro que apura um esquema para desviar mais de US$ 3 milhões em moeda ucraniana.

Eleições em Tempos de Guerra: Um Dilema Democrático

Além de levantar questões sobre corrupção, Mykhailo Fedorov reiterou seu apelo pela realização de eleições na Ucrânia, mesmo em meio ao conflito com a Rússia. Ele argumenta que a democracia não pode ser refém de Vladimir Putin e que a população precisa entender as decisões tomadas pelo governo.

“A democracia não deve ser refém de Putin”, declarou Fedorov, sem revelar suas próprias ambições políticas. Ele enfatiza que a Ucrânia, sob lei marcial desde 2022, está com as eleições suspensas, mas considera um “direito moral” iniciar a discussão sobre o assunto.

Zelensky, por sua vez, expressou preocupação com a realização de eleições em tempos de guerra, classificando-as como um “tsunami” que poderia dividir o país e representar um risco enorme. Especialistas apontam dificuldades como a votação de soldados, refugiados e moradores de territórios ocupados, além do risco de desinformação russa.

Burocracia e Atrasos no Apoio Ocidental

Fedorov também criticou a burocracia em países que apoiam a Ucrânia, como o Reino Unido, citando atrasos no fornecimento de armas. Ele lamentou que a “burocracia e a papelada” causem demoras na entrega de equipamentos prometidos, o que impacta a capacidade ucraniana na linha de frente.

“Os governos estão ficando para trás em relação à realidade no terreno”, disse o ex-ministro, exemplificando que anúncios de ajuda podem se concretizar apenas no final do ano. Ele defendeu o financiamento direto da produção de drones ucranianos, em vez de depender de equipamentos obsoletos de outras nações.

Inovação Militar e Futuro Político

Mykhailo Fedorov é reconhecido por suas inovações militares, como a substituição de soldados por um “exército de drones”, que tem salvado vidas e possibilitado ataques de longo alcance contra alvos russos. Ele planeja continuar promovendo novas estratégias de guerra.

O ex-ministro confirmou uma visita aos Estados Unidos para se encontrar com Elon Musk, com o objetivo de estender a tecnologia Starlink ao espaço aéreo russo. Ele acredita que empresas de tecnologia continuarão a apoiar a Ucrânia em sua vitória.

Ao ser questionado sobre ambições políticas futuras, Fedorov não descartou uma candidatura à presidência, mas ressaltou que tudo dependerá do relançamento do processo democrático e da confiança que as pessoas depositarão nele. “Tudo dependerá de quão cedo conseguiremos relançar este processo eleitoral democrático, quanta energia eu terei, se conseguirei preservar minha equipe, se serei capaz de responder à pergunta pessoalmente, se conseguirei lidar com este cargo de presidente ou não”, ponderou.

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