Mulher que envenenou marido com veneno de rato em RO irá a júri popular após TJ-RO negar recurso da defesa

RONDONIA

Mulher acusada de matar marido com veneno de rato em RO vai a júri popular

Uma mulher que teria envenenado o próprio marido com veneno de rato em Chupinguaia, Rondônia, será julgada por um júri popular. A decisão foi confirmada pelo Tribunal de Justiça de Rondônia (TJ-RO), que negou um recurso da defesa que buscava impedir o julgamento.

A acusada, que permanece presa preventivamente, responderá por homicídio qualificado. O crime teria ocorrido em setembro de 2025, após conflitos conjugais se intensificarem, segundo a denúncia do Ministério Público de Rondônia (MP-RO).

Conforme apurado, a mulher teria colocado veneno de rato, conhecido como chumbinho, na marmita do companheiro. A ingestão da substância resultou na morte do homem horas depois. A confirmação veio através de exames periciais e toxicológicos, que detectaram a presença do veneno nos restos de comida e no corpo da vítima, inclusive após exumação.

Defesa tentou invalidar provas e evitar júri

Os advogados de defesa apresentaram um recurso ao TJ-RO com o objetivo de anular o processo. Entre os argumentos, estava a contestação da validade de provas como imagens de câmeras de segurança, que teriam sido recolhidas pelo filho da vítima, e os resultados dos exames toxicológicos. A defesa também solicitou a revogação da prisão preventiva da acusada.

No entanto, a 2ª Câmara Criminal do TJ-RO, sob relatoria do desembargador Álvaro Kalix Ferro, rejeitou os pedidos. O magistrado fundamentou que provas obtidas por particulares podem ser utilizadas no processo, desde que não haja indícios de adulteração ou prejuízo ao direito de defesa.

Indícios suficientes para levar ao Tribunal do Júri

O Tribunal de Justiça considerou que os depoimentos coletados, os laudos periciais e até mesmo pesquisas sobre os efeitos do veneno encontradas no celular da acusada configuram indícios suficientes para que o caso seja julgado pelo Tribunal do Júri. A decisão valida a continuidade do processo penal contra a mulher.

As qualificadoras apontadas pelo Ministério Público, que incluem motivo fútil, uso de veneno e recurso que dificultou a defesa da vítima, foram mantidas. Estes pontos serão analisados e decididos pelos jurados durante o julgamento, que definirá a responsabilidade da mulher no crime.

Reclusão preventiva mantida

Apesar das tentativas da defesa de reverter a prisão, a decisão do TJ-RO manteve a prisão preventiva da acusada. Isso significa que ela permanecerá detida enquanto aguarda o julgamento pelo júri popular. A manutenção da prisão visa, entre outros fatores, garantir a ordem pública e a aplicação da lei penal.

O caso, que chocou a cidade de Chupinguaia, agora segue para a fase de júri popular, onde a sociedade, através dos jurados, terá a palavra final sobre a culpa ou inocência da mulher acusada de tirar a vida do marido de forma cruel e premeditada.

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