A distribuição desigual de recursos do fundo eleitoral está gerando insatisfação e protestos dentro do Partido dos Trabalhadores (PT).
A insatisfação com a forma como o fundo eleitoral está sendo distribuído pelo PT para as campanhas de 2026 tomou conta de um evento com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Belo Horizonte, Minas Gerais. Candidatas mineiras expressaram publicamente sua insatisfação, elevando a voz contra o que consideram uma disparidade injusta nos repasses.
A manifestação, que ocorreu durante um encontro focado na participação feminina na política, expôs um **descontentamento interno significativo**. O ato serviu para dar visibilidade a uma pauta que já vinha sendo articulada por um grupo de candidatas, que buscam maior equidade na alocação de verbas partidárias.
A denúncia de que “as mulheres da base do PT-MG não aceitam serem tratadas como laranjas” estampa uma faixa que circulou durante o protesto. A declaração é um forte indicativo da percepção de que a distribuição atual pode prejudicar candidaturas femininas, especialmente aquelas que não recebem um piso mínimo de recursos, conforme apurado pela imprensa brasileira. A repercussão do caso em Minas Gerais já começa a ecoar em outros estados, como Rondônia, onde as diferenças nos valores destinados a candidatos do mesmo partido também chamam a atenção.
Candidatas Mineiras Exigem Piso e Transparência
Um grupo de 25 candidatas mineiras, incluindo 11 postulantes a deputada estadual e 14 a deputada federal, se viu em uma faixa de distribuição do fundo eleitoral que **não prevê repasses significativos**. Essas candidatas reivindicam a criação de um piso de R$ 80 mil por candidatura e preparam um manifesto para pressionar a direção nacional do partido por mudanças nos critérios de distribuição.
O documento apresentado pelas candidatas questiona as **diferenças consideradas expressivas** nos valores destinados às campanhas. Enquanto alguns candidatos a deputado federal podem receber até R$ 2,4 milhões, outros ficaram com apenas R$ 10 mil ou, em alguns casos, sem nenhum recurso. Essa discrepância gerou grande repercussão, principalmente por ter ocorrido em um evento onde o presidente Lula discursava sobre a importância da representatividade feminina na política.
Alerta em Rondônia: Disparidade nos Repasses Chama Atenção
O episódio em Minas Gerais serve como um **alerta para a situação em Rondônia**, onde a diferença entre os recursos destinados a candidatos de uma mesma legenda já é motivo de atenção. No PT de Rondônia, por exemplo, a candidata Cláudia de Jesus recebeu R$ 325 mil para sua campanha a deputada estadual.
Em contrapartida, Sid Orleans aparece com um repasse de R$ 23.175, uma diferença de R$ 301.825, **mais de 14 vezes o valor destinado ao segundo candidato**. Os mesmos R$ 23.175 também foram repassados para outros candidatos como André do Sindicato, Cidão do PT e Claudinei Tijolão. Essa disparidade, embora não signifique irregularidade por si só, pois os partidos possuem critérios próprios, pode gerar questionamentos.
Transparência e Critérios na Distribuição de Recursos
É importante ressaltar que a **disparidade nos valores não implica, automaticamente, em irregularidade**. Os partidos políticos têm autonomia para definir seus próprios critérios na distribuição do fundo eleitoral, desde que estejam dentro das regras eleitorais estabelecidas. No entanto, a **diferença monumental entre os valores** pode alimentar questionamentos por parte de candidatos que se sintam prejudicados.
A situação em Rondônia, com as diferenças já observadas, **não descarta a possibilidade de que candidatos também passem a cobrar explicações de suas direções partidárias**. A exigência por maior transparência sobre os critérios utilizados na divisão dos recursos se torna, assim, uma pauta relevante para garantir a equidade e a confiança no processo eleitoral.
