OTAN aumenta gastos militares em 20% em 2025, refletindo pressões de Trump e receios com a Rússia
Os gastos militares dos 32 países membros da OTAN registraram um aumento de 20% em 2025, comparado ao ano anterior. Esta escalada significativa nas despesas militares reflete uma mudança na mentalidade de segurança europeia, cada vez mais focada na ameaça percebida da Rússia, especialmente após quatro anos de conflito na Ucrânia.
A pressão exercida pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também desempenhou um papel crucial nesse aumento. Em 2025, Trump intensificou os apelos para que a OTAN expandisse sua meta mínima de gastos militares, levando a aliança a reavaliar seus compromissos financeiros com a defesa.
Conforme detalhado no relatório anual da Aliança, divulgado nesta quinta-feira (26), todos os membros agora cumprem o objetivo de destinar pelo menos 2% de seu Produto Interno Bruto (PIB) para gastos militares. Essa meta, originalmente estabelecida em 2014 com o horizonte de 2024, foi superada pela maioria dos países.
Nova meta de gastos e países que se destacam
Sob a influência de Trump, a OTAN definiu uma nova e ambiciosa meta no ano passado: atingir 3,5% de gasto estritamente militar até 2035, com um adicional de 1,5% para despesas relacionadas à segurança, totalizando 5% do PIB. Essa nova diretriz visa fortalecer a capacidade de defesa coletiva da aliança diante de um cenário geopolítico cada vez mais complexo.
Considerando esses novos patamares, apenas Polônia, Letônia e Lituânia alcançaram a meta de 3,5% no ano passado. A Estônia e a Noruega também estão próximas de atingir esse objetivo, demonstrando um forte compromisso com o aumento das despesas militares.
Variações nos gastos e críticas à Espanha
Apesar do aumento geral, alguns países apresentaram pequenas quedas na proporção do PIB destinada a gastos militares. Os Estados Unidos, por exemplo, passaram de 3,30% em 2024 para 3,19% em 2025. A República Tcheca e a Hungria também registraram quedas proporcionais, saindo de 2,07% para 2,01% e de 2,21% para 2,07%, respectivamente.
A França manteve-se estável, com 2,05% em 2025 contra 2,04% no ano anterior. Espanha, Portugal, Canadá e Bélgica atingiram a meta de 2%. No entanto, a Espanha tem sido alvo de críticas, especialmente de Trump, por não ter aderido ao compromisso da meta de 5%, o que gerou ameaças comerciais por parte dos EUA.
Europa rearmando-se diante da ameaça russa
O aumento expressivo nos gastos militares da OTAN é um reflexo direto da crescente preocupação com a Rússia, vista como uma ameaça cada vez mais próxima. A guerra na Ucrânia, que completa quatro anos, intensificou a necessidade de os países europeus reforçarem suas capacidades de defesa e dissuasão.
A retomada de uma mentalidade militarista na Europa, impulsionada por esses receios, leva a um investimento mais robusto em armamentos, tecnologia militar e treinamento. A OTAN, como principal aliança de defesa do Ocidente, busca, com esses novos investimentos, garantir a segurança de seus membros e manter a estabilidade regional.
