Pedidos de Refúgio de Venezuelanos no Brasil Caem 40% e Atingem Menor Nível Desde Fechamento de Fronteiras na Pandemia

BRASIL

Queda drástica nos pedidos de refúgio de venezuelanos no Brasil: o menor volume desde 2021

Nos primeiros quatro meses de 2024, o Brasil registrou 4.274 pedidos de refúgio de cidadãos venezuelanos. Este número representa uma expressiva **queda de 39,68%** em comparação com o mesmo período do ano anterior, quando foram contabilizados 7.086 solicitações. De acordo com dados do DataMigra, plataforma do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) com informações do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), este é o **menor volume de pedidos de refúgio por venezuelanos nos primeiros quatro meses do ano desde 2021**, ano em que as fronteiras terrestres brasileiras estavam fechadas devido à pandemia de Covid-19.

O pedido de refúgio é um importante instrumento de proteção legal que o Brasil oferece a estrangeiros que enfrentam perseguição em seus países de origem por motivos de raça, religião, nacionalidade, pertencimento a um grupo social ou opiniões políticas. Além disso, a proteção é estendida àqueles que sofrem grave e generalizada violação de direitos humanos em sua nação.

As informações foram confirmadas ao g1 pelo próprio Ministério da Justiça e Segurança Pública. A análise desses dados revela uma tendência de diminuição que já se manifestava desde 2023, mas que foi **intensificada por eventos recentes na Venezuela e nas relações internacionais do país**.

Melhora econômica na Venezuela impulsiona queda nos pedidos de refúgio

Carolina Pedroso, professora de relações internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explica que a situação econômica da Venezuela tem uma correlação direta com o fluxo de imigração e os pedidos de refúgio. Segundo ela, a **melhora na economia venezuelana, mesmo que gradual, leva muitas famílias a reconsiderarem a decisão de deixar o país**.

“Em termos gerais, a maior parte das pessoas que saem da Venezuela o fazem por questões materiais, mais do que outro fator”, afirma Pedroso. Ela acrescenta que qualquer alívio na situação econômica das famílias pode refletir na desistência da imigração, que é um processo sempre difícil e incerto, que deixa as pessoas ainda mais vulneráveis.

Captura de líder venezuelano e alívio de sanções internacionais

A especialista aponta que a **captura de Nicolas Maduro pelo governo de Donald Trump, em janeiro deste ano, também pode ter influenciado a queda acentuada nos pedidos de refúgio**. A professora acredita que o retorno de recursos congelados pelas sanções norte-americanas, a permissão para a entrada de empresas dos Estados Unidos no país e a reestruturação da dívida venezuelana contribuíram para um clima econômico mais favorável.

“Há também o estímulo que companhias de outros países também se sentissem mais seguras a voltar a fazer negócios com a Venezuela”, completa Pedroso. Com a presidente interina Delcy Rodríguez no governo, houve uma **redução nas restrições impostas pelos EUA**, que criavam barreiras para o faturamento de empresas em setores estratégicos como petróleo e mineração. Isso devolveu à população a expectativa de que a crise financeira possa se atenuar.

Venezuela: Principal nacionalidade em pedidos de refúgio desde 2016

Desde 2016, a Venezuela tem sido a nacionalidade com o maior número de pedidos de refúgio no Brasil, reflexo do aprofundamento da crise econômica enfrentada pelo país. Entre 2000 e 2025, o Brasil recebeu mais de 553 mil pedidos de refúgio, com os venezuelanos respondendo por mais de 50% dessas solicitações. Em 2023, já se observava uma leve tendência de queda, atribuída à atenuação da inflação interna e a outras variáveis econômicas positivas.

Para se ter uma ideia da magnitude da queda, os pedidos de refúgio de venezuelanos nos primeiros quatro meses do ano não ficavam abaixo de 7 mil desde 2022, ano que registrou 13.803 solicitações nesse período. A interrupção nesse fluxo só havia ocorrido em 2021, com 2.188 pedidos no mesmo intervalo, quando as fronteiras estavam fechadas. A reabertura do lado brasileiro ocorreu apenas em junho daquele ano.

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