Polícia Brasileira Desmascara Assassino Foragido no Paraguai por Décadas; Vivia com Nome Falso e Família

BRASIL

A Saga de Marcos Panissa: 37 Anos Foragido e a Vida Oculta no Paraguai

Uma história de fuga, identidades falsas e uma vida construída sobre mentiras chega ao fim. Marcos Campinha Panissa, condenado por um crime hediondo no Brasil, foi finalmente capturado no Paraguai, onde viveu por mais de duas décadas como José Carlos Vieira, um comerciante discreto.

A prisão, que ocorreu na última semana, encerra uma fuga que se estendeu por 37 anos, desde o brutal assassinato de sua ex-mulher, Fernanda Estruzani, em 1989. O caso, que chocou o Brasil na época, agora ganha um desfecho com a colaboração entre as polícias brasileira e paraguaia.

A vida de aparências de Panissa desmoronou ao ser abordado por agentes da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (Senad). A reação de surpresa ao ouvir seu nome verdadeiro, após tantos anos, foi o primeiro sinal de que o foragido havia sido encontrado. A informação foi divulgada pela BBC News Brasil.

O Crime Brutal Que Iniciou a Fuga

Em agosto de 1989, Fernanda Estruzani, então com 21 anos, foi assassinada com 72 facadas dentro de seu apartamento em Londrina, Paraná. Marcos Panissa, seu ex-marido, não aceitava o fim do relacionamento e invadiu a residência, cometendo o crime. Na época, o caso foi tratado como homicídio, pois o feminicídio ainda não existia na legislação brasileira.

Panissa chegou a ser julgado duas vezes em liberdade. Contudo, antes de um terceiro julgamento em 1995, ele desapareceu, tornando-se um dos criminosos mais procurados pela Interpol, com um alerta vermelho ativo há décadas na Polícia Federal. Ele foi condenado à revelia em 2008 a 19 anos de prisão, pena que cumpriria até 2028 se tivesse sido capturado.

A Nova Identidade e a Vida no Paraguai

Investigadores acreditam que, após o crime, Marcos Panissa fugiu para o Paraguai, entrando no país com documentos falsos. Estima-se que ele tenha se estabelecido no país vizinho há pelo menos 20 anos, quando se casou em 2001. Sob a identidade de José Carlos Vieira, ele construiu uma nova vida, casou-se novamente, teve uma filha e abriu negócios, como uma loja de ferragens e materiais agrícolas.

Segundo o ministro da Senad, Jalil Rachid, Panissa levava uma vida discreta, frequentando comércios e circulando livremente. Sua esposa e filha paraguaias, chocadas com a revelação, não tinham conhecimento de seu passado criminoso. Elas o viam apenas como José Carlos, um homem que havia construído uma nova vida no Paraguai.

A Colaboração Policial e a Captura

A prisão de Marcos Panissa foi resultado de um trabalho conjunto entre a Polícia Federal brasileira, o Ministério Público do Paraná e a Senad paraguaia. No ano passado, a Polícia Federal recebeu informações concretas de que o foragido estava no Paraguai e repassou os dados às autoridades paraguaias.

A partir dessas informações, a Senad iniciou um monitoramento que culminou na operação Memento Mei, nome que remete à importância de não esquecer as vítimas de feminicídio. Após buscas em diferentes cidades paraguaias, Panissa foi localizado em San Lorenzo e abordado pelos policiais, que o chamaram pelo nome verdadeiro, causando sua paralisação e surpresa.

Expulsão e Cumprimento da Pena

Após a detenção, as autoridades paraguaias iniciaram os procedimentos para a expulsão de Marcos Panissa do país, por questões migratórias. Ele foi entregue à Polícia Federal na Ponte Internacional da Amizade, onde o mandado de prisão foi cumprido. O Ministério Público ressalta que a prisão, após tantos anos, demonstra que o sistema de Justiça não esquece as vítimas e que a busca pela verdade continua.

O advogado de defesa de Marcos Panissa informou que buscará a revisão criminal para que sua pena seja reduzida para nove anos, conforme decidido em um julgamento anterior. Ele reconheceu que seu cliente cometeu um crime terrível, mas afirmou que a defesa atuará dentro da legalidade para buscar a redução da pena.

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