Influencer Jefferson de Souza Investigado: Usou IA para Sexualizar Evangélicas e Criticou Roupas de Jovens na Igreja

VARIEDADES

Influenciador Jefferson de Souza é investigado pela Polícia Civil de SP por suspeita de usar inteligência artificial para manipular e sexualizar imagens de jovens evangélicas. Antes de ser alvo da investigação, ele criticava nas redes sociais as roupas usadas pelas fiéis nos cultos da Congregação Cristã do Brasil (CCB), afirmando que os vestidos “marcam o corpo”.

Em vídeos publicados em plataformas como TikTok, YouTube e Instagram, onde acumula quase 50 mil seguidores, Jefferson de Souza comentava sobre o comportamento das fiéis que tiram fotos dentro dos templos e as postam na internet. Ele questionava o uso de vestimentas que, em sua opinião, “marcam o corpo”.

O influenciador admitiu à polícia ter utilizado fotografias de fiéis como base para criar conteúdos em vídeos com deepfake, técnica que usa inteligência artificial para alterar imagens de forma realista. Posteriormente, esse material era divulgado na internet, levantando sérias preocupações sobre a manipulação e sexualização de imagens, inclusive de adolescentes.

A investigação, iniciada em fevereiro pela 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) em São Mateus, Zona Leste de São Paulo, apura a suspeita de simulação de cena de sexo ou pornografia com menor de 18 anos por meio digital, conforme o artigo 241-C do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A pena pode variar de 1 a 3 anos de reclusão, além de multa. A polícia também investiga se ele cometeu difamação contra outras jovens expostas.

A técnica de Deepfake e suas implicações legais

Deepfake é uma tecnologia que utiliza inteligência artificial para criar ou alterar fotos, vídeos ou áudios de maneira convincente, fazendo parecer que uma pessoa realizou ações ou disse algo que nunca ocorreu. Especialistas ressaltam que o uso de IA não diminui a responsabilidade de quem cria ou divulga esse tipo de material.

Laura Hauser, pesquisadora da PUC-SP, enfatiza que o foco não deve ser no comportamento das vítimas, mas sim na conduta de quem comete o abuso. “Não é a vítima que tem que se cuidar. O predador que deve ser intimado a melhorar”, afirma Hauser.

Vítimas relatam constrangimento e medo

Uma das jovens que teve sua imagem exposta por Jefferson, uma adolescente de 16 anos, relatou o constrangimento e o medo de que o episódio afete seu convívio social. Ela contou que sua foto foi usada sem autorização para criar uma montagem com inteligência artificial, onde ela aparecia sensualizando junto a outras mulheres.

“Eu fiquei muito envergonhada, então não queria ter sido exposta. Eu tomo cuidado e também fico com medo disso afetar meu convívio social”, disse a estudante, que, após o ocorrido, parou de tirar fotografias de si mesma.

Outra jovem evangélica informou ter tentado remover conteúdos publicados pelo influencer e que já entrou com um processo contra ele. Ela ressalta a importância de denunciar esses casos para combater a violência digital.

Defesa alega “sátira e críticas de costumes”

Procurado, Jefferson de Souza informou que seu advogado comentaria o caso. Em nota, a defesa alegou que as publicações “tinham o intuito de sátira e críticas de costumes” e que “em nenhum momento houve a intenção de promover exploração sexual, pornografia ou qualquer ato que atentasse contra a dignidade sexual das pessoas mencionadas”.

Anteriormente, em depoimento à polícia, Jefferson negou as acusações, minimizando as críticas e afirmando que o conteúdo era de humor e visava gerar engajamento. “Eu faço isso. E eles falam que eu estou manchando a obra de Deus, que eu estou colocando mulheres seminuas. Mas não é, pessoal. Tem algumas que eu coloquei lá, mas é uma forma de chamar atenção para poder ganhar seguidores”, declarou.

Pedido de desculpas e remoção de conteúdo

Em um vídeo publicado no Dia da Páscoa, Jefferson pediu desculpas aos “irmãos” da Congregação Cristã do Brasil pelos vídeos com críticas à igreja, confessando ter errado na forma de falar e prometendo ser mais cauteloso. No entanto, ele não mencionou os deepfakes criados com as adolescentes e mulheres.

Algumas das postagens consideradas misóginas foram recentemente retiradas do ar pelo próprio influencer ou pelas plataformas digitais. O TikTok informou ter tolerância zero para exploração sexual infantil, e o YouTube confirmou a remoção de vídeos que violavam suas diretrizes.

A Congregação Cristã do Brasil informou apoiar a adoção de medidas legais cabíveis pelas autoridades. Juliana Cunha, diretora da SaferNet, destaca a importância de as vítimas não se sentirem culpadas e a necessidade de dados para influenciar mudanças em políticas públicas e legislação.

O caso evidencia os desafios crescentes com o avanço da tecnologia e a necessidade de conscientização e ação contra a violência digital, garantindo que a internet não seja vista como um espaço sem lei.

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