Violência irrompe na Cidade do México em dia de festa: Abertura da Copa marcada por protestos e confronto policial
A tão esperada partida de abertura da Copa do Mundo no Estádio Azteca, na Cidade do México, foi marcada por cenas de tensão e violência nesta quinta-feira (11). Dezenas de policiais e manifestantes entraram em confronto nas redondezas do estádio, em meio à celebração do início do torneio de futebol.
O embate, flagrado por jornalistas, deixou um policial com a cabeça sangrando e gerou apreensão entre torcedores e moradores. A confusão ocorreu enquanto o jogo entre México e África do Sul acontecia, evidenciando a insatisfação de grupos sociais com a situação do país.
As manifestações, lideradas principalmente por professores e familiares de desaparecidos, têm sido uma constante na capital mexicana. As reivindicações por justiça e melhores condições de trabalho ganharam destaque no dia em que o mundo volta seus olhos para o esporte, conforme informado pela agência de notícias AFP.
Professores em Greve e Familiares de Desaparecidos Pressionam Autoridades
O movimento, composto majoritariamente por professores do ensino fundamental e médio, intensificou seus protestos na última semana. Eles exigem melhorias salariais e de aposentadoria, tendo rejeitado a mais recente proposta governamental na noite de quarta-feira. A intenção era se aproximar do Estádio Azteca, mas encontraram forte contingente policial que os manteve afastados.
Paralelamente, familiares de pessoas desaparecidas no México também se uniram aos atos, buscando visibilidade para suas causas. A tensão aumentou quando alguns manifestantes tentaram remover barreiras de segurança próximas ao estádio, resultando na troca de agressões com os agentes. A governadora Sheinbaum classificou o protesto como uma tentativa de “provocação” para gerar imagens de repressão durante a Copa.
Caos em Fan Fest e Problemas com Vistos Afetam o Dia da Abertura
A agência AFP também relatou caos e empurra-empurra em uma Fan Fest da FIFA na praça da Constituição, no centro da Cidade do México. A superlotação e a presença de barreiras metálicas instaladas pela polícia para proteger o local das manifestações criaram um ambiente de dificuldade para os torcedores.
Um dos presentes, Vítor Gómez, de 49 anos, descreveu a situação como “um caos”, relatando dificuldades para entrar e sair do evento. “Pode até morrer gente lá dentro, não dá nem para andar, nem ver nada”, desabafou à AFP, evidenciando os problemas de organização e segurança.
Além dos confrontos e da confusão nas áreas de celebração, o problema dos vistos para entrada nos Estados Unidos também impactou o primeiro dia do torneio. O Comitê Nacional de Torcedores da Costa do Marfim denunciou que a seleção não poderá contar com o apoio de seus fãs, pois estes não conseguiram obter os documentos necessários para entrar no país.
Fãs da Costa do Marfim Impedidos de Entrar nos EUA
O presidente do Comitê Nacional de Torcedores da Costa do Marfim, Julien Kouadio Adonis, lamentou a situação. “Os Estados Unidos foram claros conosco ao dizer que não queriam ver nossos torcedores”, declarou, expressando a frustração de não poderem apoiar sua seleção no evento mundial.
A combinação de protestos internos, problemas de segurança em eventos públicos e dificuldades de visto para torcedores estrangeiros lança uma sombra sobre o início da Copa do Mundo no México, levantando preocupações sobre a organização e a recepção do evento.
