Irã Reabre Acesso Global à Internet Após Quase Três Meses de Bloqueio
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, determinou o restabelecimento do acesso internacional à internet no país, conforme anunciado pela mídia estatal iraniana nesta segunda-feira (25). A decisão marca o fim de um período de 87 dias de severas restrições à rede para a maior parte da população iraniana.
A informação foi confirmada pelo chefe de relações públicas do Ministério das Comunicações do Irã. Durante o período de bloqueio, apenas alguns cidadãos conseguiam acessar a internet através de VPNs mais avançadas e de alto custo, utilizadas para contornar as limitações impostas pelo governo.
Essas restrições frequentes ao acesso à internet no Irã têm sido alvo de críticas de organizações internacionais e defensores da liberdade digital, especialmente em momentos de instabilidade política e social no país. Acompanhe os detalhes sobre essa importante medida e o histórico de bloqueios digitais no Irã.
Histórico de Restrições e Críticas Internacionais
O bloqueio geral da internet no Irã teve início em 8 de janeiro, coincidindo com protestos contra o regime que eclodiram no país no final de dezembro. Segundo o observatório digital NetBlocks, a conectividade no país caiu para cerca de 1% do padrão normal, afetando uma população de aproximadamente 90 milhões de habitantes.
A prática de bloqueios de internet e apagões digitais não é nova no Irã. O regime teocrático frequentemente restringe o acesso à rede em períodos de manifestações antigoverno ou de tensões militares e políticas. Em fevereiro, por exemplo, em meio à ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, o governo voltou a restringir o acesso à rede, com um apagão digital que durou mais de uma semana.
Durante esses períodos de bloqueio, tarefas cotidianas como usar o Google Maps ou acessar sites internacionais tornam-se impossíveis. Apenas a intranet local, controlada pelo governo e com funcionalidades limitadas, permanece acessível. As restrições dificultam a organização de protestos, a circulação de informações independentes e favorecem a disseminação de narrativas pró-governo.
Tecnologias Utilizadas para Contornar a Censura
Apesar das severas restrições, muitos iranianos recorreram a ferramentas para driblar a censura. Entre elas, destacam-se o uso de VPNs, a plataforma Psiphon e até mesmo conexões ilegais da Starlink, a empresa de internet via satélite de Elon Musk. No entanto, o governo iraniano também buscou combater essas alternativas.
O governo utilizou equipamentos de jamming, que geram interferência em sinais, próximos às antenas da Starlink para bloquear o serviço. Especialistas explicam que governos podem interromper o acesso à internet ao obrigar operadoras a suspenderem sinais de cabos e antenas. Para a internet via satélite, o bloqueio é mais complexo, mas o Irã investiu em técnicas de jamming para embaralhar os sinais.
O Impacto dos Apagões Digitais
Os apagões digitais no Irã têm um impacto significativo na vida dos cidadãos. Além de dificultar a comunicação e o acesso à informação, podem impedir que civis recebam alertas de evacuação e avisos de segurança em tempo real, especialmente durante ataques militares.
Esta foi a terceira vez que o Irã promoveu um bloqueio geral de internet. As outras ocorrências foram em 2019, durante protestos contra o aumento do preço dos combustíveis, e em 2022, após a morte de Mahsa Amini. Em 2025, o governo iraniano também acusou o WhatsApp de espionagem e colaboração com Israel, alegações negadas pela Meta, que afirma que as mensagens do aplicativo são criptografadas.
Próximos Passos e Incertezas
Até o momento, não há informações detalhadas sobre quando o serviço de internet internacional será totalmente restabelecido no Irã, nem se haverá limitações parciais de acesso. A decisão do presidente Pezeshkian representa um alívio para a população, mas o histórico do país sugere que a vigilância sobre o acesso à rede pode permanecer.
Organizações internacionais continuam monitorando a situação, buscando garantir a liberdade digital e o acesso irrestrito à informação para os cidadãos iranianos. A reabertura do acesso à internet é vista como um passo positivo, mas a comunidade global aguarda a normalização completa do serviço.
