Jason Arday, Professor Negro de Cambridge, Morre em Meio a Escândalo de Acusações
O sociólogo britânico Jason Arday, de 41 anos, que alcançou o posto de professor negro mais jovem da Universidade de Cambridge em 2023, foi encontrado morto em Londres. Sua morte ocorre em um momento de intensa polêmica, com o acadêmico enfrentando sérias acusações de ter mentido sobre sua trajetória pessoal e profissional, além de alegações de plágio em seu doutorado.
As dúvidas sobre as qualificações e feitos de Arday ganharam força no último mês, após serem levantadas por Nathan Cofnas, um ex-pesquisador de filosofia da própria Cambridge. A imprensa britânica começou a questionar diversas afirmações feitas pelo professor, abalando sua reputação.
Entre as alegações em xeque, estão a suposta arrecadação de 5,5 milhões de libras (aproximadamente R$ 38,8 milhões) para instituições de caridade através de desafios esportivos. Conforme informação divulgada pela imprensa, a veracidade desses feitos estava sob escrutínio.
Dúvidas Sobre a Trajetória Pessoal e Acadêmica
Arday compartilhava publicamente que enfrentou desafios como dislexia, atrasos no desenvolvimento e autismo. Ele alegava que essas condições o levaram a permanecer sem falar até os 11 anos e a só aprender a ler e escrever no final da adolescência. Além disso, o professor afirmava ter completado 30 maratonas em 35 dias e percorrido cerca de 965 quilômetros em apenas seis dias, feitos que também foram questionados.
Um ponto crucial das acusações veio à tona em 24 de julho, quando o jornal “The Times” publicou uma análise da tese de doutorado de Arday, defendida em 2015. Segundo a reportagem, o trabalho continha trechos “idênticos ou quase idênticos” aos de um artigo publicado anteriormente por outro pesquisador, levantando fortes suspeitas de plágio.
Investigação e Renúncia na Universidade
Diante da repercussão negativa e das crescentes dúvidas, dezenas de acadêmicos de Cambridge assinaram uma carta solicitando uma investigação independente sobre a contratação de Jason Arday. A pressão resultou na renúncia do professor ao cargo de professor de sociologia da educação na universidade, ocorrida na semana passada.
Inicialmente, Cambridge defendeu Arday, afirmando que as acusações de plágio já haviam sido apuradas pela Liverpool John Moores University, instituição que concedeu seu título de doutor. No entanto, a universidade mudou de postura após receber “novas informações sobre as qualificações e nomeações honorárias do professor Arday”, anunciando a abertura de sua própria investigação.
A vice-reitora de Cambridge, Deborah Prentice, também anunciou uma revisão dos processos de contratação da instituição. Ela ressaltou que funcionários negros e de outras minorias étnicas são “altamente valorizados” na universidade, mas classificou o caso de Arday como uma “exceção”, que não deve manchar a reputação de outros profissionais.
Apoio e Declaração da Família
Um grupo de mais de 20 acadêmicos e políticos que apoiavam o ex-professor classificou as acusações como uma “campanha difamatória” destinada a prejudicar Arday e outros negros em posições de influência. Em um comunicado divulgado pela editora Simon & Schuster do Reino Unido, a família de Arday expressou seu choque com a perda e afirmou que “a campanha de desinformação foi demais para Jason”.
Segundo os parentes, Arday foi alvo de uma “campanha contínua de ataques” por três anos, movida por pessoas que buscavam insistentemente prejudicá-lo. A família lamentou a perda de um “pai, companheiro, irmão, tio e filho incrível”, destacando a gentileza e a visão positiva de Arday sobre as pessoas.
