Comunidade iraniana nos EUA protesta contra regime de Teerã durante estreia da seleção na Copa do Mundo
A cidade da Califórnia, conhecida como “Tehrangeles”, se tornou palco de um protesto significativo contra o regime iraniano. Membros da comunidade iraniano-americana se reuniram em frente ao estádio onde a seleção do Irã faria sua estreia na Copa do Mundo, demonstrando descontentamento com a situação política em seu país de origem.
A manifestação ocorre em um momento delicado, com a participação do Irã no torneio marcada por tensões geopolíticas. A maior comunidade iraniana fora do país, localizada no sul da Califórnia, tem suas raízes em famílias que chegaram após a Revolução Islâmica de 1979, que derrubou a monarquia.
Esses protestos, organizados por iranianos que buscam uma mudança no governo de Teerã, buscam dar voz ao povo dentro do Irã. Conforme relatado pela Associated Press, alguns manifestantes, mesmo com ingressos para o jogo, declararam que seu objetivo não era torcer pela equipe, mas sim serem a “voz do povo dentro do Irã”. A informação foi divulgada pelo jornal “The Athletic”.
Bandeira Pró-Revolucionária Proibida pela FIFA Gera Tensão
Manifestantes se reuniram com bandeiras vermelhas e verdes com o leão e o sol dourados, símbolos pré-revolucionários. No entanto, um juiz de Los Angeles confirmou a proibição da FIFA ao uso desta bandeira nos jogos, segundo o jornal “The Athletic”. Mesmo assim, alguns manifestantes, como Ella Bah, de 42 anos, encontraram formas de expressar seu protesto, usando a bandeira de maneira criativa e planejando revelá-la após a entrada no estádio.
A proibição da bandeira gerou descontentamento entre alguns iranianos-americanos. O Instituto Iraniano-Americano para Vozes da Liberdade entrou com uma ação judicial para contestar a regra da FIFA, mas um juiz do Tribunal Superior de Los Angeles manteve a proibição, citando a dificuldade logística de alterar protocolos de segurança em um evento de grande porte com poucas horas de antecedência. O juiz Curtis Kin, segundo o The Athletic, declarou que seria um “fardo enorme mudar um protocolo de longa data para um evento de grande porte em questão de horas”.
Divergências e Apoio à Seleção em Meio a Conflitos Políticos
A participação do Irã na Copa tem sido um tema complexo para a diáspora iraniana. Enquanto alguns protestam contra o regime, outros expressam apoio à equipe, separando o esporte da política. Reza Garajedaghi, de 57 anos, afirmou que assistirá ao jogo com seu pai e que, para ele, “isso não tem nada a ver com o governo que eles têm no Irã”. Ele se considera um “fanático por futebol” e vê os jogadores como representantes de todos os persas e iranianos ao redor do mundo.
O capitão da equipe, Mehdi Taremi, em coletiva de imprensa, declarou que a seleção joga por todos os iranianos e que o objetivo é “trazer alegria a todos os iranianos, onde quer que vivam”. Taremi enfatizou que a equipe “não se envolve em política” e está focada em jogar futebol, buscando unir as pessoas apesar das diferentes opiniões.
Histórico de Repressão e a Busca por Liberdade
A situação política no Irã tem impactado diretamente atletas. Em 2022, um ex-jogador da seleção foi preso por protestar contra a liderança do país. O atacante Sardar Azmoun, supostamente por uma publicação nas redes sociais que desagradou às autoridades, não foi convocado para esta Copa do Mundo, apesar de ser considerado um “excelente jogador” pelo técnico Amir Ghalenoei.
A manifestação em Los Angeles também viu a bandeira oficial do governo iraniano sendo pisoteada pelos manifestantes. Parsa Ezati, de 21 anos, e sua mãe levaram a bandeira para protesto, afirmando que ela “representa os aiatolás que mataram tantos iranianos”. A ação simboliza o repúdio ao regime e a busca por um Irã livre.
