Putin promete reforçar defesa aérea da Rússia após drones ucranianos atingirem São Petersburgo e base naval
O presidente russo, Vladimir Putin, anunciou nesta quinta-feira (4) que a Rússia intensificará seus sistemas de defesa aérea. A declaração surge em resposta aos recentes ataques de drones da Ucrânia, que têm conseguido penetrar em áreas mais profundas do território russo, incluindo instalações estratégicas.
Em entrevista à Associated Press, Putin admitiu que alguns drones ucranianos conseguiram ultrapassar as defesas russas, atingindo sua cidade natal, São Petersburgo. “Infelizmente, alguns deles conseguem passar”, afirmou o presidente, enfatizando a necessidade de aprimorar e fortalecer os sistemas de defesa aérea do país.
As declarações de Putin ocorrem em paralelo ao Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, um evento importante para a atração de investimentos para a Rússia. Na véspera da abertura do fórum, um ataque de drones ucranianos causou um incêndio em um terminal de petróleo e atingiu uma base naval nas proximidades da cidade.
Ataques em São Petersburgo e Fórum Econômico
O ataque de quarta-feira (3) em São Petersburgo, que provocou uma grande coluna de fumaça preta sobre a cidade, representa um constrangimento para o Kremlin. Os ataques expõem a crescente capacidade da Ucrânia de atingir alvos em território russo e evidenciam vulnerabilidades na proteção de cidades importantes.
Como consequência dos ataques, dezenas de voos no aeroporto de São Petersburgo foram atrasados ou desviados. As autoridades também implementaram medidas temporárias, como a interrupção do serviço de internet móvel, na tentativa de dificultar futuras ações ucranianas.
Este incidente se soma a outros ocorridos recentemente, como a redução na escala do desfile do Dia da Vitória em 9 de maio, motivada pelo temor de ataques de drones. Dias depois, uma grande ofensiva aérea contra os arredores de Moscou resultou em mortes e expôs fragilidades na segurança da capital russa.
Rússia aberta a acordo, mas com condições e sem mediadores europeus
Vladimir Putin reiterou que a Rússia permanece aberta a um acordo de paz com a Ucrânia, desde que os termos acordados sigam os entendimentos prévios. Ele mencionou uma reunião com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Anchorage, no Alasca, como base para futuras negociações.
O presidente russo rejeitou a ideia de que países da União Europeia possam atuar como mediadores. Segundo Putin, a mediação exige neutralidade, algo que ele não vê nos países europeus, que, em sua visão, têm defendido ativamente a derrota estratégica da Rússia. Ele questionou como a Rússia poderia confiar em partes que, segundo ele, “passaram anos defendendo a necessidade de impor uma derrota estratégica ao país”.
Testes com mísseis e objetivos na Ucrânia
Putin também comentou sobre o uso do míssil balístico de alcance intermediário Oreshnik, afirmando que ele foi testado em alvos que permitiram avaliar sua capacidade e precisão antes de um possível uso em larga escala, inclusive contra áreas povoadas. “Atacamos uma região onde era conveniente observar os resultados”, declarou.
O presidente russo reforçou o objetivo de controlar toda a região de Donetsk, no leste da Ucrânia, informando que cerca de 15% do território da região ainda está sob controle ucraniano. Ele expressou confiança de que o “patriotismo e a determinação do povo russo” garantirão o alcance das metas estabelecidas por Moscou na guerra.
Enquanto isso, as forças russas continuam a aumentar a pressão militar sobre a Ucrânia, segundo o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, em uma tentativa de prevenir novos ataques de drones. Na terça-feira (2), a Rússia realizou uma série de ataques com drones e mísseis contra Kiev e outras cidades ucranianas.
