Teerã em Ruínas: Civis Presos em Fogo Cruzado, Buscam Sobreviventes em Meio a Escombros
Em Teerã, a guerra entre o Irã, Israel e os Estados Unidos impõe um fardo insuportável aos civis. Bombardeios atingem bairros residenciais, transformando lares em escombros e separando famílias. A busca desesperada por entes queridos se tornou uma realidade cruel na capital iraniana.
A mãe que clama por sua filha em meio aos destroços de Resalat é um retrato doloroso da tragédia. Ela espera, dia após dia, que equipes de resgate consigam encontrar sua menina, presa sob os restos do que antes era seu lar. O medo de sua filha no escuro ecoa o desespero de uma nação sob ataque.
A BBC reuniu depoimentos e analisou imagens que revelam o impacto devastador desses ataques na vida de civis inocentes. A cidade, palco de tensões geopolíticas, agora lida com as consequências humanas de uma guerra que não escolhe alvos. Conforme apurado pela BBC Eye, com base em depoimentos de testemunhas oculares e análise de imagens de redes sociais e de satélite, a situação é alarmante.
O Pesadelo em Resalat: Vidas Perdidas e Lares Destruídos
Um ataque aéreo israelense em 9 de março devastou o bairro de Resalat, em Teerã. Dezenas de famílias viviam no prédio de apartamentos que agora jaz em ruínas. A mãe mencionada anteriormente, que morava no local com o marido e a filha pequena, teve sua vida brutalmente interrompida. Dias após o bombardeio, ela e a filha foram encontradas sem vida sob os escombros.
Um homem de 55 anos, morador de um prédio do outro lado da rua, também destruído, descreveu o ataque como “tão repentino” que ele foi “arremessado para o outro lado do cômodo”. Tudo o que ele possuía, incluindo documentos importantes, se perdeu sob os escombros. “Não tenho mais nada”, lamentou.
Autoridades locais e moradores estimam que entre 40 e 50 pessoas morreram apenas neste ataque, com os desabrigados sendo acomodados em um hotel próximo. A análise das consequências do ataque em Resalat sugere que o impacto se estendeu muito além do alvo militar declarado, com edifícios a até 65 metros de distância gravemente danificados pela explosão.
Armas Pesadas e Dano Colateral: A Realidade da Guerra em Áreas Urbanas
Especialistas militares consultados pela BBC Eye indicam que a Força Aérea Israelense pode estar utilizando bombas da série Mark 80, possivelmente a Mark 84 de 907 kg, conhecidas por seu grande poder destrutivo. A escala dos danos observados em Resalat é consistente com o uso desse tipo de armamento pesado.
A Organização das Nações Unidas (ONU) já havia alertado sobre os perigos de usar bombas potentes em áreas densamente povoadas. Especialistas em direito humanitário internacional consideram que o uso de bombas tão pesadas em áreas civis pode ser desproporcional e potencialmente ilegal, dada a ameaça à vida de civis.
As Forças de Defesa de Israel afirmaram ter realizado mais de 12 mil lançamentos de bombas em todo o Irã, com 3.600 delas direcionadas a Teerã. O Comando Central dos EUA reportou ter atingido mais de 9.000 alvos no país. Muitos desses ataques visaram instalações militares e de segurança, frequentemente localizadas em bairros civis movimentados.
Civis no Fogo Cruzado e a Falta de Preparo das Autoridades
Em 1º de março, um ataque israelense atingiu a delegacia de polícia de Abbasabad, uma área onde famílias se reuniam após o jejum do Ramadã. Testemunhas relataram a morte de pelo menos 20 pessoas. A análise da zona de impacto sugere, assim como em Resalat, que os danos ultrapassaram o alvo militar declarado.
A agência de notícias HRANA informou que 1.464 civis, incluindo pelo menos 217 crianças, foram mortos no Irã no primeiro mês do conflito. Moradores criticam as autoridades iranianas pela falta de medidas básicas de segurança, como abrigos públicos, apoio à evacuação ou acomodação temporária para os deslocados.
Muitos relataram a ausência de sirenes ou avisos, apenas o som das explosões. Em meio ao apagão da internet, a sensação de exposição e incerteza é constante. O governo iraniano não divulgou publicamente protocolos de defesa civil, deixando a população à mercê dos ataques. Para os civis em Teerã, a guerra se traduz em casas perdidas, famílias destruídas e a crescente sensação de que nenhum lugar é verdadeiramente seguro.
