Trump eleva a pressão na guerra comercial e mira a Bombardier, fabricante de aviões canadense, exigindo produção nos EUA para vendas no país.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou uma nova ameaça contra a Bombardier, gigante canadense da aviação. Em postagem na rede social Truth Social, Trump declarou que a empresa não terá mais permissão para vender seus aviões nos Estados Unidos, a menos que passe a produzir suas aeronaves em solo americano.
A declaração representa mais um capítulo na escalada da disputa comercial entre Washington e Ottawa, intensificando a estratégia de Trump de pressionar empresas estrangeiras a moverem suas linhas de produção para os Estados Unidos, visando a criação de empregos e o fortalecimento da indústria nacional.
A Casa Branca não detalhou como essa ameaça seria efetivamente colocada em prática, nem quais medidas específicas seriam adotadas. A Bombardier, por sua vez, ainda não se pronunciou oficialmente sobre as declarações do presidente americano. Conforme informação divulgada pela mídia, a exigência faz parte de uma política mais ampla do governo dos EUA.
O que Trump exige da Bombardier
A política de Trump visa utilizar tarifas e outras barreiras comerciais como ferramentas para incentivar empresas estrangeiras a transferirem parte de sua produção para os Estados Unidos. No caso da Bombardier, essa exigência pode ter um impacto significativo, considerando que aproximadamente metade dos 5.100 aviões operados por clientes da empresa estão em operação nos Estados Unidos.
A empresa já possui operações nos EUA, incluindo uma fábrica no Kansas, onde aeronaves são preparadas para missões especiais de defesa. No entanto, essa unidade não é o centro principal da fabricação dos jatos executivos de ponta da companhia, que são cruciais para seu portfólio.
Pressão de Trump contra a Bombardier não é novidade
Esta não é a primeira vez que Donald Trump direciona suas críticas e ameaças à fabricante canadense. Em janeiro, o presidente já havia ameaçado impor uma tarifa de 50% sobre aeronaves produzidas no Canadá. Na época, ele também sugeriu a possibilidade de retirar a certificação de jatos da linha Global Express da Bombardier.
Essas ameaças anteriores foram condicionadas à certificação, pelo Canadá, de aeronaves produzidas pela concorrente americana Gulfstream. Embora as ameaças não tenham sido implementadas e o Canadá tenha posteriormente certificado alguns modelos da Gulfstream, o episódio demonstrou a tática recorrente de Trump em usar tarifas para pressionar parceiros comerciais.
Impacto da decisão para a Bombardier
A Bombardier é uma das principais fabricantes de jatos executivos do mundo e possui uma presença robusta no mercado americano. A perda de acesso aos Estados Unidos representaria um obstáculo considerável para a empresa, afetando diretamente suas operações e receitas. A companhia mantém uma cadeia de produção integrada entre Canadá e Estados Unidos.
Além da fábrica no Kansas, a Bombardier conta com centros de serviço e outras operações em território americano, evidenciando a interconexão de suas atividades. Em um movimento recente, em 1º de setembro, a empresa anunciou a aquisição de uma fábrica no Canadá da Mitsubishi Heavy Industries, responsável pela produção de asas para os jatos Global 5500 e Global 6500.
Desempenho financeiro recente da empresa
Apesar das tensões comerciais, a Bombardier tem apresentado resultados financeiros positivos em alguns setores. Em julho, a empresa reportou um crescimento de 6% em sua receita trimestral em comparação com o mesmo período do ano anterior, atingindo US$ 2,15 bilhões. Esse aumento foi impulsionado principalmente pela forte demanda por serviços de manutenção e pós-venda, demonstrando a resiliência de parte de seus negócios.
