Trump recusa acordo com Irã para reabrir Estreito de Ormuz, alegando termos inaceitáveis
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (26) ter rejeitado uma proposta do Irã que visava reabrir o Estreito de Ormuz em uma semana, condicionada ao cumprimento de certas exigências por parte de Washington. A oferta iraniana incluía a suspensão do bloqueio naval aos portos iranianos e o fim das sanções sobre a venda de petróleo do país.
A notícia surge em meio a tensões crescentes no Oriente Médio, com relatos de interceptação de mísseis atribuídos a rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, no vizinho Iêmen. O Irã busca, através desta proposta, normalizar suas relações diplomáticas e comerciais, que foram severamente afetadas pelas sanções impostas pelos EUA.
A Casa Branca, por sua vez, expressou ceticismo quanto à proposta, com Trump afirmando que, embora esteja aberto a um acordo, os termos apresentados pelo Irã não seriam aceitáveis. A declaração foi feita a jornalistas antes de o presidente comparecer a um jogo de futebol americano universitário, indicando a complexidade das negociações em andamento.
Proposta Iraniana Detalhada: Sete Condições para a Paz
A oferta do Irã, detalhada pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, previa a reabertura do Estreito de Ormuz e a retomada das negociações sobre o programa nuclear do país em sete dias. Para que isso ocorresse, os Estados Unidos precisariam suspender o bloqueio naval em seus portos, revogar as sanções sobre a exportação de petróleo iraniano e observar um cessar-fogo que abrangesse o Líbano.
Além destas condições, o Irã apresentou um total de sete exigências para o fim das hostilidades e a reabertura da estratégica via marítima. Entre elas, destacam-se a cessação de todas as hostilidades no Oriente Médio por sete dias, incluindo no Líbano, e o desbloqueio de ativos iranianos congelados, estimados em pelo menos US$ 12 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 62,1 bilhões.
Araghchi informou que Teerã aguarda uma resposta de Washington e ressaltou que a China, um importante parceiro comercial e diplomático do Irã, apoia a proposta. A reabertura do Estreito de Ormuz, um ponto vital para o comércio global de petróleo, seria o passo final no sétimo dia de cessação das hostilidades, conforme o plano iraniano.
Trump: “Esse acordo não seria aceitável”
Donald Trump, em declarações à imprensa, admitiu que o Irã busca um acordo porque está em uma posição de desvantagem. “Eles querem fechar um acordo e acho isso ótimo. Eu também gostaria de fechar um acordo. Mas esse acordo não seria aceitável”, afirmou o presidente dos EUA, deixando clara sua posição sobre os termos apresentados.
O Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, tem sido palco de tensões. O Irã efetivamente o fechou após ataques atribuídos aos EUA e Israel no final de fevereiro, resultando em uma queda significativa no tráfego de navios devido a ameaças e ataques iranianos a embarcações na região.
Apesar da retórica de Trump, que chegou a ameaçar “aniquilar” a República Islâmica, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reiterou a abertura de Teerã para a diplomacia durante sua participação nas Nações Unidas. As conversas indiretas entre Irã e EUA ocorreram durante a reunião de líderes mundiais, mas sem um avanço concreto até o momento, especialmente com a rejeição da proposta iraniana por Trump.
