Vasco: Marido de Leila Pereira, José Roberto Lamacchia, era dono da empresa que tenta comprar o clube

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Empresa que negocia compra do Vasco teve marido de Leila Pereira como dono em momentos chave

A potencial compra da SAF do Vasco da Gama pela Almirante Participações, empresa que se tornou a principal candidata a adquirir o clube, revela conexões familiares e societárias que levantam questões sobre a operação. Documentos obtidos pelo UOL mostram que José Roberto Lamacchia, marido de Leila Pereira e sócio da Crefisa, foi acionista majoritário da empresa em diferentes momentos, incluindo períodos em que as negociações com o Vasco já estavam em andamento.

Embora a Almirante afirme que Leila Pereira não possui vínculo direto com a operação de compra do Vasco, a cronologia dos fatos e a estrutura societária da empresa indicam uma participação indireta e relevante de seu marido. A empresa, que mudou de nome e controle acionário, esteve sob o comando de Lamacchia em fases críticas.

A apuração detalha a evolução da Almirante, desde sua fundação como Top Gol, passando por mudanças societárias que envolveram a Crefipar, holding de investimentos da família Lamacchia, onde Leila possuía uma pequena participação. A narrativa aponta para uma estratégia que culminou na transferência do controle para Marcos Lamacchia, filho de Leila e José Roberto, antes das negociações avançarem.

O nascimento da Almirante e a participação indireta de Leila

A história da Almirante Participações começa em março de 2024, com a fundação da Top Gol. Na época, a empresa tinha como acionistas a Ravena e a Siena, ambas controladas majoritariamente pela Crefipar Participações. É neste ponto que o nome de Leila Pereira surge, como detentora de 2% das ações da Crefipar, holding de investimentos da família Lamacchia.

O restante do capital da Crefipar pertencia ao marido de Leila, José Roberto Lamacchia. Essa estrutura, portanto, ligava a fundação da empresa que hoje negocia com o Vasco a investimentos familiares, nos quais Leila tinha uma participação, ainda que minoritária e sem poder de gestão, segundo a assessoria da Almirante.

Mudanças societárias e a saída de Leila da estrutura

Em abril de 2024, a Top Gol passou por uma série de alterações em seu quadro societário. A empresa passou a pertencer integralmente à Siena, que por sua vez se tornou propriedade da Ravena. Simultaneamente, a Ravena deixou de ter a Crefipar como acionista, passando a ser controlada exclusivamente por José Roberto Lamacchia.

Essas movimentações foram cruciais para retirar Leila Pereira da estrutura societária da empresa. A Almirante, em nota oficial, reforçou que a transferência para Marcos Faria Lamacchia ocorreu quando se iniciou a intenção de compra do Vasco, e que todos os documentos foram firmados sob o controle dele.

José Roberto Lamacchia: do controle à cessão para o filho

Em agosto de 2025, José Roberto Lamacchia cedeu o controle acionário da Top Gol, que então mudou seu nome para Almirante Participações. A totalidade das ações, 99%, passou a pertencer a Marcos Lamacchia, filho do casal. Foi sob a gestão de Marcos que as negociações com o Vasco ganharam força.

É importante notar que, em maio de 2024, o jornalista Rodrigo Capelo noticiou que José Roberto Lamacchia, através da Crefisa, havia tentado adquirir a SAF do Vasco ainda sob controle da 777 Partners. Na ocasião, as conversas teriam sido interrompidas devido a um potencial conflito de interesses, já que Leila Pereira buscava a reeleição no Palmeiras.

Empréstimo da Crefisa ao Vasco e o “stalking horse”

Em outubro de 2025, a Crefisa realizou um empréstimo de R$ 80 milhões ao Vasco, tendo como garantia 20% das ações da SAF, percentual posteriormente reduzido para 10%. Essa operação gerou questionamentos sobre conflito de interesses, com o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista (Bap), sugerindo que a solicitação de ações como garantia poderia indicar um interesse em assumir a SAF.

Atualmente, a Almirante Participações é a principal candidata a adquirir 90% da nova SAF do Vasco. O processo de concorrência se dará por meio de um leilão judicial, com propostas apresentadas em envelope lacrado. A Almirante entra neste processo como “stalking horse”, o que significa que sua proposta servirá como referência para outras ofertas.

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