Parlamentares dos EUA pressionam Mark Zuckerberg por esclarecimentos sobre a atuação da Meta durante as eleições brasileiras, especialmente após denúncias de tratamento desigual entre as campanhas de Lula e Bolsonaro.
Um grupo de 13 parlamentares dos Estados Unidos enviou uma carta ao CEO da Meta, Mark Zuckerberg, exigindo explicações sobre alegações de que as plataformas da empresa, como o WhatsApp e o Facebook, teriam favorecido a campanha de Flávio Bolsonaro em detrimento da campanha de Lula.
A principal acusação gira em torno do uso da inteligência artificial (IA) do WhatsApp, que, segundo relatos, se recusava a gerar imagens para a campanha de Lula, mas permitia solicitações semelhantes para Bolsonaro. O caso já havia levado o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a cobrar explicações da Meta.
As denúncias levantam sérias preocupações sobre a imparcialidade das big techs em processos democráticos. Conforme informações divulgadas, os congressistas americanos ressaltam a importância de garantir que todos os candidatos recebam tratamento igualitário na distribuição e recomendação de conteúdos em plataformas digitais durante períodos eleitorais.
Denúncias de IA Discriminatória e Restrições em Contas de Anúncios
A carta enviada a Zuckerberg detalha as preocupações, citando especificamente os relatos sobre a IA do WhatsApp. Além disso, o documento menciona a desativação da conta de anúncios de Lula no Facebook em 23 de setembro, 11 dias antes do primeiro turno das eleições brasileiras. Houve também restrições que impediram a campanha petista de impulsionar publicações no Instagram por quase 24 horas, entre 9 e 10 de outubro.
Segundo a campanha de Lula, essas restrições teriam impedido que cerca de 1,3 milhão de pessoas visualizassem os anúncios. O TSE já havia multado a Meta por descumprimento de determinações para garantir tratamento igualitário aos candidatos, e posteriormente dobrou o valor da multa.
Em resposta às exigências, a Meta afirmou, em 20 de outubro, ter implementado 17 medidas para cumprir as determinações do TSE, incluindo a criação de um sistema de revisão humana para analisar restrições aplicadas a contas de anúncios de campanhas.
Parlamentares Exigem Transparência e Reunião com a Meta
Os congressistas americanos solicitaram uma reunião com representantes da Meta para a próxima sexta-feira, 23 de setembro, e estabeleceram o prazo de 4 de novembro para que a empresa responda a um questionário por escrito. As perguntas buscam entender as regras que norteiam a moderação de conteúdo em eleições estrangeiras.
Além disso, os parlamentares querem saber se houve comunicação entre a Meta e membros do governo de Donald Trump sobre o Judiciário brasileiro, a regulação de plataformas ou as eleições de 2026. A carta também questiona quando a empresa identificou as supostas diferenças de tratamento e quais ações foram tomadas para corrigir o problema.
Detalhes sobre o sistema de revisão humana, que promete analisar restrições automatizadas em até duas horas, também são solicitados. Os congressistas ainda indagaram se a Meta permitirá que auditores independentes acessem dados internos de moderação e distribuição de conteúdo político para verificar a igualdade de tratamento nas eleições brasileiras.
O Papel das Big Techs em Eleições Democráticas
A pressão dos parlamentares americanos reforça o debate global sobre a responsabilidade das grandes empresas de tecnologia na manutenção de ambientes digitais justos e democráticos. A igualdade no acesso à informação e a proibição de manipulação de conteúdo são pilares essenciais para a integridade de qualquer processo eleitoral.
A investigação em andamento busca garantir que as plataformas da Meta operem de forma transparente e imparcial, sem interferir indevidamente nos resultados eleitorais, seja no Brasil ou em qualquer outro país democrático. A resposta de Zuckerberg e as ações subsequentes da Meta serão cruciais para definir os próximos passos.
