25 Anos do 11 de Setembro: Famílias Sofrem com Atraso no Julgamento do ‘Cérebro’ dos Atentados em Guantánamo

BRASIL

A Agonia dos Familiares das Vítimas do 11 de Setembro: Justiça Lenta em Guantánamo

À medida que se aproxima o 25º aniversário dos trágicos atentados de 11 de setembro de 2001, familiares das vítimas expressam profunda frustração com a morosidade do processo judicial contra os supostos arquitetos dos ataques. Presos na base naval de Guantánamo, em Cuba, os acusados ainda aguardam julgamento, gerando apreensão de que a justiça possa não ser feita em tempo hábil.

O governo dos Estados Unidos classificou o 11 de Setembro como “o mais grave ato criminoso ocorrido em solo americano na história moderna”. No entanto, o tempo decorrido levanta sérias preocupações para aqueles que perderam seus entes queridos. A demora no julgamento de Khalid Sheikh Mohammed, apontado como o cérebro por trás dos ataques, e de outros envolvidos, torna a espera ainda mais dolorosa.

Essas informações foram divulgadas em reportagem da BBC, que detalha o sofrimento e a esperança dos parentes. John Resta, cujo irmão e cunhada faleceram nos ataques, compartilha a angústia de muitos. Ele descreve o processo como “árduo e tedioso”, e teme que seus pais, já idosos, não vivam para presenciar o desfecho do caso.

A Longa Espera por Justiça em Guantánamo

Khalid Sheikh Mohammed, também conhecido pelas iniciais KSM, está detido em Guantánamo há 20 anos, sem nunca ter sido condenado. A prisão militar foi estabelecida na base naval como parte da “guerra ao terrorismo” após os atentados. Familiares das vítimas participam de sorteios para assistir às audiências preliminares, em uma sala de alta segurança, separados dos acusados por um vidro.

O processo que antecede o julgamento tem sido marcado por constantes mudanças, com cinco juízes militares diferentes presidindo as audiências ao longo dos anos. Recentemente, a data do julgamento de Mohammed foi marcada para junho de 2028, mas a incerteza paira sobre a possibilidade de novos adiamentos. A preocupação de que os acusados possam falecer antes de serem julgados é real.

Stephan Gerhardt, outro familiar de vítima, já viajou seis vezes para Guantánamo. Ele expressa o desejo de presenciar a condenação pela morte de seu irmão mais novo, Ralph, mas também anseia por poder, enfim, deixar o assunto para trás e se concentrar nas lembranças. “Quero me concentrar nas recordações”, declarou Gerhardt, que ainda restaura o carro de seu irmão como forma de manter a memória viva.

Tortura e a Complicação do Caso 11 de Setembro

A tortura a que Mohammed e outros supostos cúmplices foram submetidos é apontada como a principal causa dos prolongados atrasos no caso. O juiz militar, em decisão recente, desconsiderou confissões feitas por Mohammed aos agentes do FBI em Guantánamo, após ele ter sido transferido de prisões secretas da CIA. O juiz classificou o tratamento dado a Mohammed pela CIA como “extraordinário abuso físico e mental”, determinando que as confissões não foram voluntárias.

Especialistas, como a professora de direito internacional Kasey McCall-Smith, da Universidade de Edimburgo, afirmam que “todos os aspectos do caso foram litigados em torno da questão da tortura”. Ela destaca que os acusados foram submetidos a “anos de abusos”, incluindo o waterboarding e posições de estresse, o que complica significativamente a apresentação de provas.

John Ryan, autor do livro “America’s Trial: Torture and the 9/11 Case on Guantanamo Bay”, explica que a decisão do juiz prejudicou a promotoria ao invalidar a prova considerada mais sólida contra Mohammed. Embora existam outras provas, como interceptações telefônicas e gravações secretas, não há garantia de que serão aceitas no julgamento, pois as defesas pretendem contestá-las.

Julgamento ou Acordo de Culpabilidade: Um Dilema

Em um momento, um acordo de culpabilidade chegou a ser cogitado, no qual Mohammed e outros dois acusados evitariam a pena de morte em troca de se declararem culpados. No entanto, o acordo foi suspenso de última hora, com o governo americano argumentando que um julgamento público e a possibilidade da pena capital eram essenciais. Essa decisão gerou divisões entre os familiares das vítimas, alguns apoiando o acordo para garantir a condenação, outros criticando a falta de transparência e a possível indulgência.

John Resta apoiou o acordo com o objetivo de garantir a condenação dos envolvidos, afirmando: “Minha filosofia é que estes sujeitos não são o tipo de pessoas que deveriam andar livres pelas ruas”. Já Brett Eagleson, cujo pai faleceu nos atentados, prefere um julgamento completo, acreditando na importância do sistema judiciário e da exposição pública dos fatos para “trazer a verdade à luz”.

Um Capítulo Que Ainda Não se Encerrou

Brett Eagleson descreve a situação em Guantánamo como um “desastre” e sente-se “traído” pelo governo americano. Ele observa que, enquanto para os familiares o 11 de Setembro permanece uma ferida aberta, para o público em geral, o evento caminha para se tornar “um acontecimento histórico”. A captura de Osama bin Laden e o fim das guerras no Iraque e Afeganistão podem dar a impressão de que o capítulo foi encerrado.

Estima-se que o julgamento, quando finalmente começar, dure cerca de um ano. O objetivo das audiências preliminares é definir quais provas serão admitidas, o que pode agilizar o processo. Stephan Gerhardt expressa o desejo de que o julgamento chegue ao fim, para que ele possa, finalmente, “viver minha vida e desfrutar dos meus hobbies e das recordações de Ralph”, sem a necessidade de retornar a Guantánamo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *