Morre Sheikh Hamad bin Khalifa Al-Thani, o ex-emir do Catar que transformou o país e o levou à Copa do Mundo

BRASIL

Morre aos 74 anos Sheikh Hamad bin Khalifa Al-Thani, ex-emir do Catar

O ex-emir do Catar, Sheikh Hamad bin Khalifa Al-Thani, faleceu neste domingo (12) aos 74 anos. Ele foi o responsável por uma profunda modernização e expansão da influência do país no cenário mundial.

Sheikh Hamad assumiu o poder em 1995 e governou por 18 anos, um período marcado por transformações econômicas e diplomáticas sem precedentes para o pequeno Estado do Golfo Pérsico. Sua decisão de abdicar em 2013 e passar o comando para seu filho, Tamim bin Hamad Al-Thani, foi um marco de sua visão de futuro.

O Amiri Diwan, órgão oficial do governo catari, confirmou a morte do ex-emir, mas não divulgou a causa. A notícia encerra um capítulo importante na história recente do Catar, um país que, sob sua liderança, se tornou um dos maiores exportadores de gás natural e sede da Copa do Mundo de 2022.

A Era de Transformação do Catar

Sheikh Hamad bin Khalifa Al-Thani é amplamente creditado por liderar o Catar em um dos períodos mais dinâmicos de sua história. Ele implementou uma estratégia ousada que impulsionou a economia, aumentou a projeção internacional e elevou as ambições políticas do país.

Sua visão se traduziu em investimentos massivos na infraestrutura de gás natural liquefeito (GNL), permitindo que o Catar explorasse suas vastas reservas e se tornasse um dos principais exportadores globais. Essa iniciativa foi a base da riqueza que o país ostenta hoje.

Além da economia, Sheikh Hamad também apostou na influência midiática. Foi sob seu comando que nasceu a rede de televisão Al Jazeera, que se tornou uma voz influente no mundo árabe e projetou o Catar para além de suas fronteiras regionais.

Copa do Mundo e Influência Global

Um dos feitos mais notórios de seu governo foi a conquista do direito de sediar a Copa do Mundo de 2022. Este evento não apenas consolidou a presença do Catar no cenário internacional, mas também desencadeou uma década de obras de infraestrutura que remodelaram a capital, Doha, e o país como um todo.

A política externa de Sheikh Hamad foi marcada pela busca por um papel de mediador em conflitos internacionais. O Catar participou de negociações importantes em regiões como Líbano, Iêmen e Darfur, ao mesmo tempo em que mantinha relações diplomáticas com potências como os Estados Unidos, que possuem uma base militar no país, e o Irã.

Essa estratégia de equilibrismo permitiu ao Catar desempenhar um papel crucial em negociações sensíveis, como as entre Estados Unidos e Irã, e nos esforços para a resolução do conflito na Faixa de Gaza.

Primavera Árabe e Tensões Regionais

Durante as revoltas da Primavera Árabe em 2011, o Catar de Sheikh Hamad adotou uma postura ativa e, por vezes, controversa, ao apoiar movimentos revolucionários e grupos islâmicos na região. Doha defendia o apoio às demandas populares por mudanças políticas.

No entanto, críticos acusavam o país de favorecer seletivamente organizações alinhadas aos seus interesses, especialmente aquelas ligadas à Irmandade Muçulmana. Essa política gerou atritos significativos com outras monarquias do Golfo, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, que viam esses movimentos como ameaças à estabilidade regional.

Apesar das tensões, essa postura ampliou a influência regional do Catar, mas também deixou um legado complexo que continua a moldar a política do Golfo.

Um Legado de Sucessão e Modernização

A abdicação de Sheikh Hamad em 2013 foi vista como um movimento estratégico para garantir uma sucessão tranquila e evitar disputas internas na família governante, que tem um histórico de intrigas palacianas.

Ele próprio chegou ao poder em 1995, depôs seu pai em um golpe sem derramamento de sangue e, um ano depois, sobreviveu a uma tentativa de contragolpe. Sua ascensão ao poder, assim como a de seu pai em 1972, foi marcada por mudanças na liderança do país.

Uma figura chave em sua modernização foi sua esposa, Sheikha Moza bint Nasser, que construiu uma forte presença pública e liderou iniciativas em educação, pesquisa e desenvolvimento social, complementando as reformas políticas e econômicas de Sheikh Hamad.

Quando assumiu o poder aos 44 anos, Sheikh Hamad era um dos governantes mais jovens da região e era conhecido por seu perfil mais acessível, frequentando locais públicos e conversando com a população, o que o diferenciava de outros líderes do Golfo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *