O Brasil enfrenta um cenário preocupante com o aumento dos casos de feminicídio em 2025. O país registrou 1.568 vítimas, representando um crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior. Desde a promulgação da lei do Feminicídio em 2015, mais de 13,7 mil mulheres foram mortas em crimes motivados por gênero.
Os dados, divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apontam que as mulheres negras são as principais vítimas e que a maioria dos crimes ocorre dentro de casa, evidenciando a vulnerabilidade em ambientes considerados seguros.
A diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, destacou a gravidade do aumento percentual, que contrasta com a estabilidade observada nos anos anteriores. “Ao longo dos últimos anos, a gente vinha falando de um crescimento de 1%, 1,5% dos feminicídios, quase uma estabilidade. Esse ano, infelizmente, em 2025, a gente teve um crescimento expressivo de 4,7%”. A especialista também ressaltou que, comparado a 2021, o aumento chega a 14,5%.
Amapá e São Paulo em Destaque Negativo
O estado do Amapá apresentou o maior crescimento percentual de feminicídios entre 2021 e 2025, com um alarmante aumento de 120%. A situação em São Paulo também é motivo de grande preocupação, com um crescimento de mais de 96% nos casos, totalizando 270 vítimas em 2025. O estado ficou em segundo lugar no ranking nacional de ocorrências.
Samira Bueno comentou sobre a situação paulista, que tem sido amplamente noticiada: “O caso de São Paulo, realmente, fica uma preocupação. A gente tem vários casos recentes que mostram um pouco que o que a gente está vendo na imprensa, é de algum modo o que de fato está acontecendo, está se traduzindo nas estatísticas”.
Falhas na Proteção de Vítimas com Medida Protetiva
Um dado alarmante do levantamento indica que 148 vítimas de feminicídio possuíam Medida Protetiva de Urgência no momento em que foram assassinadas. Isso revela falhas significativas no sistema de proteção às mulheres em situação de violência, mesmo quando medidas legais já foram implementadas.
“Nós descobrimos que 148 vítimas tinham medida protetiva de urgência no momento em que foram assassinadas. Mesmo assim, foram mortas”, enfatizou Samira Bueno, ressaltando a urgência de aprimorar as políticas de segurança e acompanhamento.
Perfil das Vítimas e Agressores
A pesquisa reforça que a maioria dos agressores são parceiros ou ex-parceiros das vítimas. Os instrumentos mais utilizados nos crimes são armas brancas, como facas, machados ou canivetes, o que sugere a necessidade de ações de prevenção focadas em relacionamentos abusivos e no acesso a armas.
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública, responsável pelo levantamento, destaca a importância de políticas públicas eficazes para combater a violência contra a mulher e garantir a segurança de todas, especialmente as mais vulneráveis.
