María Corina Machado em Madri: “Retorno para Casa” da Diáspora Venezuelana e Articulação com os EUA para Eleições Livres

BRASIL

María Corina Machado mobiliza diáspora em Madri e projeta “dia do reencontro” com foco na reconstrução da Venezuela e eleições livres, com apoio dos EUA.

Em um ato vibrante na Puerta del Sol, em Madri, a líder opositora venezuelana María Corina Machado reuniu milhares de apoiadores neste sábado, 18 de maio. Ela dirigiu-se à expressiva diáspora venezuelana na Espanha, um país que abriga cerca de 700 mil cidadãos da Venezuela, conclamando-os a se prepararem para o “dia do reencontro e da reconstrução” de seu país.

O discurso de Machado, marcado por um forte tom de mobilização e esperança, foi o ponto alto de sua visita à Espanha. Pela primeira vez em anos, a líder opositora pôde se encontrar pessoalmente com venezuelanos que vivem no exterior, fortalecendo laços e alinhando expectativas para o futuro.

Segundo a líder opositora, os 27 anos de chavismo, período que engloba os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro, serviram como uma preparação para um novo ciclo político na Venezuela. Machado argumentou que os venezuelanos que emigraram aproveitaram esse tempo fora para se estabelecer, trabalhar e se organizar, visando um eventual retorno para a reconstrução do país. Conforme informação divulgada pela fonte, a escolha de Madri para o evento teve um peso simbólico considerável, dada a grande comunidade venezuelana residente na cidade.

Expectativa de Retorno e Críticas ao Governo Maduro

O clima entre os presentes era de clara expectativa de retorno. Dayanna Padrino, venezuelana de 37 anos que reside na Espanha há dois anos, expressou otimismo, afirmando que o processo de volta ao país “já é irreversível”. Ela acredita na possibilidade de reconstruir a Venezuela e recuperar as condições de vida anteriores à crise, adicionando que sente “muito pouco” a oferecer ao país estando no exterior.

Durante sua visita, María Corina Machado também concedeu uma coletiva de imprensa onde reiterou sua decisão de presentear o Prêmio Nobel da Paz a Donald Trump. Ela justificou o gesto, afirmando que o ex-presidente dos EUA foi o único líder mundial a, segundo ela, “colocar em risco cidadãos de seu próprio país em nome da liberdade da Venezuela”.

Diálogo com os EUA e Crítica a Propostas de Transição

Machado reforçou o diálogo contínuo com Washington, classificando os Estados Unidos como uma peça “fundamental” para o avanço de uma transição democrática na Venezuela. Ela afirmou que sua volta ao país está sendo discutida em coordenação com o governo americano, em um processo conduzido com “respeito mútuo e entendimento”, como parte de um esforço maior para reorganizar o cenário político venezuelano.

A líder opositora também criticou o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, por sua proposta de um governo de concentração na Venezuela entre a presidente interina, Delcy Rodríguez, e a oposição. Para Machado, essa proposta visa impedir o avanço do processo eleitoral, apontando que alguns atores internacionais que antes defendiam a participação em eleições consideradas irregulares agora resistem à realização de novos pleitos.

Em críticas diretas ao atual governo interino, Machado descreveu Delcy Rodríguez e seu grupo como representantes do “caos”, da “violência” e do “terror”.

Recusa de Encontro com Pedro Sánchez e Aliança com a Direita Espanhola

A visita de María Corina Machado à Espanha também foi marcada por tensões políticas. Ela recusou um encontro com o primeiro-ministro Pedro Sánchez, alegando que a reunião não seria apropriada devido à realização de uma cúpula de líderes progressistas em Barcelona. Sánchez havia se oferecido para recebê-la e defendido que o futuro da Venezuela seja decidido de forma democrática e sem interferência externa.

Por outro lado, a líder opositora manteve agenda com aliados da direita espanhola, incluindo a líder regional de Madri, Isabel Díaz Ayuso, uma das principais críticas ao governo espanhol atual.

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