Alemanha em Alerta: Calor Extremo Leva a Quase 14 Mil Mortes em Quatro Meses
Um número alarmante de mortes associadas ao calor extremo foi registrado na Alemanha entre abril e agosto deste ano. Segundo estimativas do Instituto Robert Koch (RKI), entidade governamental de monitoramento de doenças, quase 14 mil pessoas perderam a vida devido às altas temperaturas.
Este dado, considerado uma estimativa conservadora pelo RKI, já supera significativamente os picos registrados em anos anteriores, como 2018 com 9.400 mortes e 2019 com 7.600. A onda de calor ocorrida no final de junho foi particularmente devastadora, sendo responsável por mais de 9 mil óbitos em apenas uma semana.
O calor na Alemanha tem sido um fator recorrente no aumento da mortalidade, especialmente quando combinado com doenças preexistentes. O RKI calcula que, em média, o aumento de mortes se torna perceptível quando a temperatura média semanal atinge 20°C, considerando as temperaturas diurnas e noturnas. Conforme informação divulgada pelo g1, o instituto baseia suas estimativas em dados de mortalidade do Departamento Federal de Estatísticas e informações de 52 estações meteorológicas.
Idosos e Mulheres: Os Mais Vulneráveis ao Calor Extremo
Os idosos representam a maioria esmagadora das vítimas, somando cerca de 90% das mortes. Deste total, 7.040 mortes ocorreram entre pessoas com 85 anos ou mais, 3.450 entre 75 e 84 anos, e 2.170 entre 65 e 74 anos. Entre as vítimas com menos de 65 anos, o RKI registrou 1.320 mortes.
Observou-se também que um número maior de mulheres perdeu a vida em decorrência do calor. O instituto aponta que um dos fatores para essa disparidade é a maior proporção de mulheres na população idosa, um grupo mais suscetível aos efeitos das altas temperaturas.
Onda de Calor em Junho: Um Ponto Crítico
A semana entre 22 e 28 de junho foi a mais letal, com aproximadamente 9,6 mil mortes atribuídas ao calor. Neste período, muitas regiões da Alemanha registraram temperaturas próximas aos 40°C, ultrapassando pela primeira vez os 41°C e acumulando três dias consecutivos de recordes de calor. Este cenário se alinha com os dados do Copernicus, serviço de monitoramento climático da União Europeia, que apontou junho e julho de 2023 como os meses mais quentes já registrados na Europa Ocidental.
Estimativas em Constante Revisão
É importante notar que os números sobre mortes causadas pelo calor podem ser revisados posteriormente. O RKI realiza cálculos mensais, que podem levar a variações nos dados, inclusive para anos anteriores. Segundo uma porta-voz da instituição, o modelo de cálculo é continuamente aprimorado, o que explica as possíveis diferenças nos resultados divulgados.
