Bill Gates Depõe em Congresso sobre Relação com Jeffrey Epstein e Pressão por Infidelidades
O cofundador da Microsoft, Bill Gates, compareceu voluntariamente a uma audiência a portas fechadas com o Comitê de Supervisão da Câmara dos Estados Unidos, em Washington, para prestar depoimento sobre suas interações com Jeffrey Epstein. A investigação busca entender a rede de influência e as atividades do criminoso sexual.
Durante seu testemunho, Gates afirmou que nunca teve um relacionamento pessoal com Epstein e que rompeu todos os laços após o criminoso não cumprir promessas de arrecadação de fundos para projetos filantrópicos. O bilionário também compartilhou detalhes sobre como Epstein utilizou suas próprias infidelidades conjugais como forma de pressão.
O depoimento, segundo membros do painel, reforça a imagem de Epstein como um “colecionador de amigos” que se associava a figuras proeminentes para projetar poder e influência. Gates, por sua vez, reiterou que nunca presenciou ou teve indícios de conduta criminosa por parte de Epstein, expressando o desejo de que os sobreviventes de seus crimes obtenham justiça.
Infidelidades como Ferramenta de Chantagem
Bill Gates revelou ao comitê que Jeffrey Epstein explorou suas infidelidades conjugais para tentar exercer pressão sobre ele. Essa informação surge em meio à divulgação de documentos do Departamento de Justiça dos EUA, onde o nome de Gates aparece milhares de vezes e em fotos ao lado de Epstein.
Embora Gates tenha admitido ter tido casos extraconjugais com duas mulheres russas, ele negou veementemente as alegações, atribuídas a rascunhos de e-mails de Epstein, de que o criminoso teria facilitado “encontros ilícitos” ou que ele teria contraído e tratado infecções sexuais com a ajuda de Epstein.
A relação entre Gates e Epstein, iniciada em 2011, se intensificou com discussões sobre estratégias de arrecadação de fundos para a fundação de Gates. No entanto, Gates assegurou que Epstein nunca teria um papel formal ou receberia compensação por seu envolvimento.
O Fim das Interações e a Busca por Arrecadação de Fundos
Gates explicou que, em 2014, após Epstein reunir um grupo de potenciais doadores, ficou claro que as promessas de apoio filantrópico não se concretizariam. “Naquele momento, concluí que Epstein nunca cumpriria suas promessas”, declarou Gates ao comitê, afirmando ter encerrado a comunicação com Epstein a partir de então.
O principal democrata do comitê, Robert Garcia, comentou que Gates estava ciente do histórico de Epstein e, ainda assim, continuou a interagir com ele na tentativa de obter recursos para sua fundação. Garcia também mencionou que Gates forneceu os nomes das pessoas reunidas por Epstein, mas estas informações não foram divulgadas publicamente.
Epstein, um “Colecionador de Amigos”
O membro republicano do comitê, Tim Burchett, descreveu as perguntas feitas a Gates como “muito intensas” e observou que o bilionário foi cauteloso em suas respostas. Burchett ressaltou que Epstein parecia ser um “colecionador de amigos”, atraindo pessoas importantes para se associar a ele e projetar poder.
Gates reafirmou que nunca foi apresentado por Epstein a mulheres, meninas ou qualquer menor de idade. Ele também admitiu, em fevereiro, ter tido um conhecimento vago sobre uma proibição de viagens de Epstein, mas que não investigou a fundo o histórico completo do criminoso.
Outras Personalidades Depõem sobre Epstein
Além de Bill Gates, o comitê já ouviu depoimentos de outras figuras proeminentes, incluindo o ex-presidente Bill Clinton, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton e o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick. A amiga de longa data de Epstein, Ghislaine Maxwell, também compareceu virtualmente, mas invocou seu direito de permanecer em silêncio.
Jeffrey Epstein se suicidou em uma cela de prisão em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual. Sua amiga, Ghislaine Maxwell, cumpre pena de 20 anos por seu papel nas atividades criminosas.
