Caso inusitado em delegacia de São José do Rio Preto levanta suspeitas sobre conduta de delegado em meio a operação policial.
Um advogado de 30 anos registrou um boletim de ocorrência contra um delegado de polícia civil em São José do Rio Preto, interior de São Paulo. A confusão teria ocorrido após o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na Divisão de Investigações Gerais (DIG).
Segundo o relato do profissional, o delegado teria agido de forma agressiva e exaltada, proferindo ofensas e ameaças contra ele e seu cliente. O estopim para a discussão teria sido a descoberta de uma peça íntima feminina dentro da sala da escrivania.
O advogado alega que a situação escalou rapidamente, com o delegado acusando-o de ter introduzido a calcinha no local. A Corregedoria da Polícia Civil já instaurou uma investigação preliminar para apurar os fatos e a conduta do delegado envolvido, conforme informação divulgada pela Secretaria de Segurança Pública.
Advogado relata agressividade e acusações infundadas por parte do delegado
O advogado Kauan Eduardo de Lima Cambauva compareceu à DIG a pedido de um cliente que era alvo de uma operação policial. Ao chegarem à delegacia, foram encaminhados para a sala da escrivã para os procedimentos necessários. Neste momento, o delegado teria entrado no local de forma abrupta, batendo na porta e proferindo palavras de baixo calão contra o advogado e seu constituinte.
Em meio ao clima de tensão, o delegado acusou o advogado de ter colocado uma calcinha na sala. Surpreso com a alegação, o profissional orientou seu cliente a recolher o objeto e descartá-lo, na tentativa de amenizar a situação e evitar mais conflitos, mas o delegado teria continuado alterado e feito ameaças.
Peça íntima feminina surge e levanta novas questões no caso da calcinha na delegacia
Momentos depois, outra mulher, também investigada na operação, chegou à delegacia acompanhada de outros policiais. Questionada sobre a peça íntima, ela afirmou que a calcinha era dela e que sua presença no local poderia ter sido involuntária, possivelmente presa ao equipamento de um dos agentes durante o transporte de itens apreendidos.
O advogado levou essa explicação ao delegado, mas, segundo ele, o policial não teria admitido o erro nem pedido desculpas pela acusação inicial. Diante da recusa em reconhecer o equívoco, o profissional decidiu formalizar uma representação contra o delegado por sua conduta.
Corregedoria da Polícia Civil abre investigação para apurar conduta do delegado
A Secretaria de Segurança Pública confirmou que o caso está sob análise da Corregedoria da Polícia Civil. Uma investigação preliminar foi aberta para apurar a conduta do delegado envolvido no desentendimento com o advogado. O objetivo é esclarecer os fatos ocorridos na delegacia e determinar se houve alguma irregularidade por parte do policial.
A atuação do delegado e as acusações feitas durante a operação policial serão minuciosamente examinadas pelas autoridades competentes. O desfecho desta investigação poderá ter implicações na carreira do policial e na relação entre a polícia e a advocacia na região.
O que diz a lei sobre conduta de policiais e advogados em delegacias
O Código de Processo Penal estabelece que advogados têm o direito e o dever de assistir seus clientes em delegacias, garantindo o acesso à informação e a proteção de seus direitos. A conduta de policiais, por sua vez, deve pautar-se pelo respeito e pela legalidade, evitando abusos de autoridade e excessos.
A lei prevê punições para policiais que agem de forma arbitrária ou que desrespeitam prerrogativas da advocacia. Casos como o da calcinha em delegacia, embora inusitados, reforçam a importância da fiscalização interna e da transparência nas instituições policiais para garantir o bom andamento da justiça.
