Ministros das Finanças de 11 países sinalizam preocupações com os efeitos duradouros do conflito no Oriente Médio sobre a economia mundial.
Ministros das Finanças de pelo menos onze nações importantes expressaram nesta quarta-feira (15) preocupações significativas sobre o impacto contínuo do conflito no Oriente Médio. Eles alertaram que a instabilidade na região deve manter a pressão sobre o crescimento global, a inflação e os mercados financeiros, mesmo que uma solução duradoura seja alcançada em breve.
Em um documento conjunto divulgado pelo governo do Reino Unido, os líderes econômicos destacaram os novos riscos que pairam sobre a economia global. A declaração foi assinada por representantes do Reino Unido, Austrália, Japão, Suécia, Holanda, Finlândia, Espanha, Noruega, Irlanda, Polônia e Nova Zelândia, durante as Reuniões de Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, realizadas em Washington.
Segundo o grupo de ministros, mesmo com o fim das hostilidades, os efeitos na economia global tendem a persistir, afetando diversos setores. A declaração conjunta foi divulgada pelo governo do Reino Unido, conforme informação divulgada pela mídia internacional.
Riscos de novas escaladas e interrupções no fornecimento de energia são destacados
O documento alerta que a possibilidade de uma retomada das hostilidades, a expansão do conflito para outras áreas ou a persistência de interrupções no fluxo de energia através do Estreito de Ormuz representam ameaças concretas. Tais eventos podem impactar negativamente a segurança energética, desorganizar as cadeias de suprimentos globais e comprometer a estabilidade econômica e financeira em escala mundial.
Países se comprometem com responsabilidade fiscal e evitam protecionismo
Na declaração conjunta, os países signatários também reafirmaram o compromisso de adotar medidas internas fiscalmente responsáveis. O foco dessas ações será direcionado ao apoio das populações mais vulneráveis, buscando mitigar os efeitos adversos da crise econômica. A prioridade é garantir a estabilidade interna sem comprometer a saúde fiscal dos países.
Além disso, os ministros defenderam ativamente que os governos evitem a adoção de ações protecionistas. Barreiras como controles de exportação injustificados, a formação artificial de estoques e outras restrições comerciais relacionadas a hidrocarbonetos e cadeias de suprimentos afetadas pela crise foram apontadas como prejudiciais à recuperação global.
FMI prevê aumento na demanda por empréstimos devido à crise
Kristalina Georgieva, diretora-geral do FMI, informou que a instituição espera que pelo menos uma dúzia de países, incluindo alguns da África Subsaariana, busquem novos programas de empréstimos. Essa demanda crescente é atribuída ao aumento nos preços da energia e às interrupções nas cadeias de suprimentos, ambas consequências diretas do conflito no Oriente Médio.
Georgieva reiterou a estimativa do FMI de que o conflito pode gerar uma demanda por empréstimos na ordem de US$ 20 bilhões a US$ 40 bilhões. Esse valor engloba tanto a ampliação de programas de financiamento já existentes quanto a criação de novos acordos para auxiliar os países mais afetados pela instabilidade econômica global.
