Atentados terroristas abalam Colômbia e levantam espectro das Farc a poucas semanas das eleições presidenciais
Cidades colombianas de Cali e Palmira, no sudoeste do país, foram palco de uma série de ataques com granadas, um ônibus-bomba e disparos de fuzis na última sexta-feira. As ações reacenderam o temor de uma nova onda de violência em um momento crucial, a apenas um mês das eleições presidenciais, marcadas para maio.
Os ataques visaram pontos estratégicos em Cali e Palmira, na região de Valle del Cauca, além de uma base militar local. Embora tenham ferido duas pessoas, os grupos armados direcionaram seus alvos para estruturas do Exército, segundo informações do governo local. A região, densamente povoada e com grande fluxo de pessoas, foi surpreendida pela brutalidade das ações.
Vídeos de câmeras de segurança registraram o exato momento de uma forte explosão em uma rua movimentada, evidenciando a gravidade dos atentados. As autoridades colombianas atribuem a autoria dos ataques a grupos armados dissidentes das Farc, que romperam com o acordo de paz e agora ameaçam a realização do processo eleitoral. Conforme divulgado pelo Exército, o primeiro ataque envolveu a explosão de um ônibus estacionado próximo a uma base militar em Palmira.
Ataque coordenado contra base militar em Palmira
Um ônibus que explodiu a poucos metros de uma base militar nos arredores de Palmira foi o primeiro incidente. Cinco cilindros foram lançados do veículo antes da detonação, causando danos significativos à estrutura da unidade militar. Após o atentado, especialistas do Exército realizaram a **detonação controlada** de outros cilindros que não explodiram, garantindo a segurança da área.
Cali, alvo frequente de grupos armados
Este é o segundo ataque em menos de um ano contra uma base militar em Cali, a terceira cidade mais populosa da Colômbia. A cidade tem sido um alvo frequente de grupos armados que disputam o controle do tráfico de drogas na rota para o Oceano Pacífico, resultando em recorrentes sequestros e extorsões contra a população. A situação de segurança pública é um dos temas centrais da campanha eleitoral, com os principais candidatos denunciando ameaças.
Medidas de segurança e histórico de violência
O ministro do Interior da Colômbia, Armando Benedetti, anunciou que o governo implementará “medidas de inteligência, reforço de efetivo e possíveis reuniões” em Cali antes das eleições. O país já vivenciou uma onda de violência sem precedentes na última década, com ataques sangrentos contra forças de segurança que resultaram em mortes de civis. Em abril de 2024, um ataque similar de dissidentes das Farc contra a mesma base militar em Cali causou danos a casas de soldados e civis, mas sem vítimas fatais.
Negociações de paz e cenário eleitoral
O presidente Gustavo Petro, ao assumir o poder em 2022, tentou, sem sucesso, negociar a paz com as maiores organizações armadas do país. Seu aliado político, o senador Iván Cepeda, é apontado como favorito nas pesquisas para a próxima eleição, que deve ter um segundo turno em junho. Os recentes ataques, no entanto, adicionam uma camada de incerteza ao já complexo cenário político e de segurança na Colômbia.
