Brasil registra aumento de 4% em feminicídios em 2025, atingindo 1.571 vítimas
Um dado alarmante divulgado pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública em 2025 revela que o Brasil atingiu um novo recorde de feminicídios, com 1.571 mulheres assassinadas por razões de gênero ao longo do ano. Este número representa uma média de quatro vítimas por dia, um aumento de 4% em comparação com os 1.504 casos registrados em 2024.
Os dados contrastam drasticamente com a tendência geral de queda na violência letal no país. Enquanto os homicídios em geral alcançaram o menor patamar desde 2012, a violência contra a mulher, especificamente o feminicídio, continua a crescer de forma preocupante. Desde 2015, quando o feminicídio se tornou um crime tipificado, os registros aumentaram quase 250%.
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública, responsável pelo anuário, destaca que medidas puramente repressivas não são suficientes para combater este tipo de crime. A organização defende uma abordagem mais ampla, focada em prevenção, intervenção precoce e monitoramento de fatores de risco, especialmente diante do aumento da violência doméstica e do descumprimento de medidas protetivas.
Perfil das vítimas e agressores aponta para violência íntima e racial
O levantamento detalha que a violência que leva ao feminicídio é predominantemente praticada por pessoas próximas às vítimas, dentro do ambiente doméstico. Em 2025, 65,1% das mulheres assassinadas eram negras, e 56,5% tinham entre 25 e 44 anos. O lar continuou sendo o local mais comum para os crimes, onde ocorreu 62,5% dos assassinatos.
Quando a autoria dos crimes foi identificada, os dados são ainda mais reveladores: 96,4% dos autores eram homens, sendo que 60,9% eram parceiros íntimos e 18,9% eram ex-parceiros. Familiares representaram 12,1% dos agressores identificados, reforçando o padrão de violência perpetrada no círculo íntimo.
Violência doméstica e ameaças precedem muitos feminicídios
O anuário também lança luz sobre a **sequência de violências** que muitas vezes antecedem o feminicídio. Em 2025, foram registradas 8.864 tentativas de homicídio e feminicídio contra mulheres, uma média alarmante de 24 casos por dia. Isso sugere que, em muitos casos, a violência letal é o desfecho trágico de um ciclo de abusos.
Para cada feminicídio registrado, o Brasil contabilizou um número expressivo de outras ocorrências. Foram cerca de 502 registros de ameaça, 182 casos de lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica, 84 ocorrências de descumprimento de medida protetiva de urgência e 79 registros de perseguição, popularmente conhecida como stalking. Esses números evidenciam a urgência de políticas públicas eficazes na proteção das mulheres.
Prevenção e intervenção precoce são cruciais, aponta estudo
Os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública reforçam a ideia de que o feminicídio raramente surge de forma isolada. Ele é, na maioria das vezes, o ponto final de uma série de violências que, em muitos casos, já eram de conhecimento das autoridades. Por isso, a importância de políticas públicas voltadas para a prevenção e a proteção das vítimas antes que a situação evolua para o trágico desfecho letal.
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública defende uma agenda que integre ações de prevenção, intervenção precoce e monitoramento constante dos fatores de risco. A persistência da violência doméstica e o aumento do descumprimento das medidas protetivas são sinais claros de que é preciso ir além da repressão e investir em estratégias mais eficazes para garantir a segurança das mulheres no país.
