Guerra Irã-EUA: Trump já gastou R$ 100 bilhões em mísseis; veja modelos e o impacto no estoque americano
A guerra entre Estados Unidos e Irã, que se aproxima de dois meses, já representa um gasto colossal para a administração Trump. Estima-se que mais de US$ 20 bilhões (aproximadamente R$ 100 bilhões) tenham sido investidos em armamentos, focados principalmente em mísseis de ataque e defesa. Este valor, segundo o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), supera o Produto Interno Bruto (PIB) de diversas nações.
O consumo de munições tem sido expressivo, com alguns modelos de mísseis tendo mais da metade do estoque pré-guerra utilizado. A análise do CSIS aponta para um cenário preocupante, pois os níveis de armamento já eram considerados baixos antes mesmo do início do conflito, especialmente diante de potências como a China.
A reposição desses estoques é um desafio. O CSIS estima que a produção de alguns armamentos pode levar mais de quatro anos, o que pode deixar os Estados Unidos em uma posição vulnerável em caso de novos conflitos, afetando inclusive aliados como a Ucrânia, que dependem do fornecimento americano. As informações foram divulgadas pelo CSIS e noticiadas pelo The New York Times.
Consumo de mísseis e o impacto nos estoques americanos
O levantamento do CSIS detalha o uso de sete tipos de armas essenciais na ofensiva contra o Irã. Entre eles, destacam-se os mísseis Tomahawk, com um custo de US$ 2,6 milhões por unidade, dos quais cerca de 850 foram utilizados, representando aproximadamente 27% do estoque inicial de 3.100 unidades. Outro míssil de longo alcance, o JASSM, também viu cerca de 1.000 unidades serem empregadas, o que corresponde a 22% de seu estoque.
Sistemas de defesa antiaérea e antimísseis também foram intensamente utilizados. O sistema THAAD, com custo de US$ 15,5 milhões por unidade, teve entre 190 e 290 unidades usadas, o que representa entre 52,8% e 80,6% de seu estoque. Similarmente, o sistema Patriot, avaliado em US$ 3,9 milhões, teve de 1.060 a 1.430 unidades empregadas, entre 45,5% e 61,4% do total.
O míssil de defesa antimíssil SM-3, um dos mais caros com custo de US$ 28,7 milhões, viu entre 130 e 250 unidades serem usadas, representando de 31,7% a 61% de seu estoque. O SM-6, com custo de US$ 5,3 milhões, teve de 190 a 370 unidades utilizadas, entre 16,4% e 31,9% do estoque. Já o míssil balístico de curto alcance PrSM, com custo de US$ 1,6 milhão, teve um uso ainda mais expressivo, com 40 a 70 unidades empregadas, o que varia de 44,4% a 77,8% de seu limitado estoque inicial de 90 unidades.
Preocupações com a capacidade de reposição e o futuro dos estoques
Apesar dos gastos e do uso massivo de armamentos, fontes do The New York Times indicam que o gasto total americano com o conflito pode ter ultrapassado os US$ 28 bilhões (R$ 140 bilhões). O Departamento de Defesa não divulgou oficialmente o número exato de munições utilizadas, mas os relatórios do CSIS pintam um quadro de consumo acelerado.
O estudo do CSIS ressalta que os níveis de estoque pré-conflito já eram uma preocupação para autoridades de defesa, agravada pelo apoio a conflitos na Ucrânia e em Israel. Mesmo com acordos recentes para ampliar a produção, a taxa de reposição é lenta, com prazos de entrega estendidos para até 36 meses ou mais, somando mais de quatro anos para a produção completa de lotes.
Capacidade militar do Irã: uma visão sob outra ótica
Em contraste com as declarações oficiais americanas de que o Irã teve sua força militar “aniquilada” ou “dizimada”, uma reportagem da CBS News, baseada em fontes do governo dos EUA, sugere que o Irã pode manter uma capacidade militar significativa. Essas fontes indicam que o Irã ainda detém metade de seu arsenal de mísseis balísticos e sistemas de lançamento intactos, com indícios de que parte dessas armas esteja escondida em bunkers.
O desfile militar em Teerã, que exibiu mísseis como o Khorramshahr-4, com alcance de 2.000 km, reforça essa perspectiva. No entanto, dados da NBC News mostram uma queda drástica nos lançamentos iranianos, e um relatório do chefe da Agência de Inteligência de Defesa dos EUA aponta que, embora o Irã ainda represente um risco, suas forças terrestres e aéreas possuem equipamentos ultrapassados e treinamento limitado, tornando-as incapazes de derrotar um adversário tecnologicamente superior.
