Hungria Promete R$ 170 Mil por Filho: O Que Aconteceu com o Plano que Trouxe Queda na Natalidade?

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Hungria: O Que Houve com o Plano de R$ 170 Mil por Filho que Não Trouxe o Resultado Esperado

A Hungria implementou uma das mais ambiciosas políticas pró-natalidade do mundo, oferecendo incentivos financeiros significativos para casais que tivessem filhos. A promessa era de até R$ 170 mil por casal que se comprometesse a ter dois filhos, além de subsídios habitacionais e isenções fiscais.

A iniciativa, lançada em 2010, visava combater o declínio da população e a baixa taxa de fertilidade do país, que se situava abaixo do nível de reposição. A expectativa era reverter a tendência de queda em nascimentos, um problema que afeta grande parte da Europa e do mundo.

No entanto, após um aumento inicial, a taxa de natalidade na Hungria voltou a cair, deixando muitos casais em situações financeiras delicadas e especialistas questionando a eficácia das medidas. Conforme informações divulgadas pela BBC, as políticas do governo anterior de Viktor Orbán, que ofereciam pagamentos a quem tivesse ou prometesse ter filhos, enfrentam agora um escrutínio sobre seus resultados reais.

O Sistema de Incentivos e Seus Beneficiários

O programa húngaro incluía empréstimos livres de juros, subsídios para aquisição de imóveis e isenções fiscais para casais heterossexuais casados e com empregos formais. A meta era clara: estimular a reprodução e aumentar o número de famílias.

Casais como Barbara e Levi Elek, que contraíram um empréstimo de 10 milhões de florins húngaros (aproximadamente R$ 170 mil) com a promessa de ter dois filhos, viram-se em dificuldades. Se não conseguissem ter um filho, poderiam ter que devolver o valor com juros punitivos, algo que eles afirmam não ter condições de arcar.

O casal Maté e Agi Gorondy, com cinco filhos, creditou o sucesso em formar uma família grande às políticas húngaras. Eles aproveitaram os auxílios e benefícios, renovaram a casa e compraram um carro maior, beneficiando-se também de reduções fiscais. Eles exemplificam o sucesso pontual das medidas para algumas famílias.

A Queda Após o Aumento: Por Que o Plano Falhou em Sustentar o Crescimento?

Embora a taxa de natalidade tenha subido de 1,25 em 2010 para 1,59 em 2020, ela caiu para 1,31 em 2025, um nível pouco superior ao inicial. Especialistas apontam diversas razões para essa reversão.

O professor János Tóth, da Universidade de Szeged, sugere que a alta inflação corroeu o valor real dos empréstimos e que os incentivos foram mais eficazes para a classe média baixa do interior, mas menos impactantes nas cidades. Ele defende que o foco deveria ser em facilitar o primeiro filho.

Eva Fodor, da Universidade Centro-Europeia, questiona se as políticas apenas anteciparam nascimentos que ocorreriam de qualquer forma, gerando um pico temporário. Ela também aponta que as medidas podem ter reforçado a ideia de que a mulher é a principal cuidadora, endurecendo papéis de gênero.

Fatores Culturais e Sociais Além do Dinheiro

A experiência húngara sugere que o dinheiro, por si só, não é suficiente. A qualidade dos serviços básicos, como saúde e educação, é crucial. Antonia Miskolczi, mãe em Budapeste, relata preocupações com o sistema de saúde, que pesaram mais em sua decisão do que os incentivos financeiros.

A Coreia do Sul, apesar de gastar bilhões em políticas pró-natalidade, viu sua taxa de fertilidade cair ainda mais, atingindo 0,8 em 2025. Isso indica que fatores culturais, como a resistência a modelos familiares patriarcais, e a instabilidade geral, agravada pela pandemia e conflitos globais, desempenham um papel significativo.

Israel se destaca como o único país da OCDE com taxa de natalidade acima da reposição, sem gastos excessivos. Isso se deve, em parte, a uma forte ênfase cultural e ideológica na natalidade, originada após o Holocausto. A França também mantém uma taxa de natalidade relativamente alta na União Europeia, com foco no equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

Revisão da Política e o Futuro dos Casais Húngaros

O Banco Nacional da Hungria estima que um em cada cinco casais que tomaram empréstimos há cinco anos não teve filhos. O novo governo húngaro declarou que está revisando a política e avaliando o que acontecerá com os casais que não cumpriram o acordo.

No caso de Barbara e Levi Elek, o resultado foi negativo: o embrião implantado não sobreviveu. O casal se encontra em uma situação delicada, sem a família que esperava e com o risco de instabilidade financeira, evidenciando as complexidades e os riscos de políticas que atrelam benefícios a resultados reprodutivos.

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