Impeachment de Trump: Eleições de Meio de Mandato Podem Sacudir Congresso e Levantar Dúvidas sobre Destituição

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Donald Trump enfrenta novo escrutínio político com eleições de meio de mandato nos EUA

Eleitores americanos estão votando nesta terça-feira para renovar o Congresso dos Estados Unidos. A disputa é considerada crucial para o futuro político do presidente Donald Trump, que pode perder o controle de ambas as casas legislativas.

Pesquisas recentes indicam que o Partido Democrata, oposição a Trump, tem chances de conquistar a maioria na Câmara dos Representantes e também no Senado. Essa mudança no equilíbrio de poder levanta a questão sobre a possibilidade de um novo processo de impeachment contra o presidente.

Apesar de a oposição poder iniciar o processo de impeachment na Câmara, a destituição de Trump do cargo é vista como um cenário de baixa probabilidade por especialistas. A decisão final exige um apoio expressivo no Senado, conforme apurado pelo g1.

O processo de impeachment nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, o processo de impeachment é dividido em duas etapas. Primeiramente, a Câmara dos Representantes vota os “artigos do impeachment”, que são as acusações formais contra o presidente. Se uma maioria simples dos 435 deputados aprovar uma ou mais acusações, o presidente sofre o impeachment e o caso segue para o Senado.

É importante notar que, diferentemente do Brasil, o presidente dos EUA não é afastado do cargo imediatamente após a aprovação do impeachment na Câmara. Ele permanece em funções até que o Senado realize o julgamento.

A etapa final ocorre no Senado, onde as acusações são apresentadas novamente e um julgamento parlamentar é conduzido. Para que o presidente seja condenado e removido do cargo, é necessário que dois terços dos senadores votem pela condenação.

Histórico de impeachments e a dificuldade de condenação no Senado

O presidente Donald Trump já enfrentou dois processos de impeachment durante seu primeiro mandato. O primeiro, em dezembro de 2019, foi por abuso de poder e obstrução do Congresso, relacionado a um pedido ao presidente da Ucrânia. O segundo, em janeiro de 2021, o acusou de incitar a insurreiçã contra o governo, após o cerco ao Capitólio.

Em ambos os casos, a Câmara dos Representantes aprovou os artigos do impeachment, mas o Senado absolveu Trump, impedindo sua destituição. Historicamente, nenhum presidente dos EUA foi removido do cargo por impeachment. Andrew Johnson, Bill Clinton e o próprio Trump foram absolvidos, enquanto Richard Nixon renunciou em 1974 antes de uma votação formal na Câmara.

Especialistas consideram impeachment de Trump improvável no Senado

Analistas ouvidos pelo g1 apontam que, mesmo que os democratas conquistem a maioria em ambas as casas, um terceiro impeachment contra Trump seria altamente improvável de resultar em sua destituição. A colunista Sandra Cohen ressalta que o processo esbarraria na necessidade de dois terços do Senado para condená-lo.

O cientista político Carlos Gustavo Poggio, professor no Berea College, explica que alcançar 67 votos no Senado (dois terços de 100 senadores) é extremamente difícil e algo que nunca ocorreu na história americana. Para que isso acontecesse, seria necessária uma crise profunda e uma drástica queda na popularidade de Trump, um cenário que Poggio considera distante.

Maurício Santoro, cientista político e professor da Uerj, compartilha dessa visão. Ele afirma que, para afastar Trump, os democratas precisariam de um apoio significativo de senadores republicanos, o que exigiria um grande escândalo afetando o presidente. Na projeção mais favorável aos democratas, eles teriam 53 cadeiras no Senado, insuficientes para a condenação.

Casos históricos de impeachment nos EUA

Além de Trump, Andrew Johnson e Bill Clinton também passaram por processos de impeachment na Câmara, mas foram absolvidos pelo Senado. O caso mais próximo de uma remoção presidencial foi o de Richard Nixon, que renunciou antes da votação final. Andrew Johnson quase foi condenado por um voto, em 1868. Bill Clinton foi absolvido em 1999 após um mês de julgamento no Senado.

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