Israel ataca Beirute, aumentando tensão em dia de possível acordo EUA-Irã
O Exército de Israel (IDF) confirmou ataques em Beirute neste domingo (14), visando infraestrutura do Hezbollah. A ação ocorre em um momento delicado, com expectativas de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã.
O gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou que os ataques foram uma resposta a projéteis lançados pelo Hezbollah contra o norte de Israel mais cedo no mesmo dia.
A ofensiva em solo libanês adiciona uma camada de complexidade aos esforços diplomáticos, que podem culminar em um acordo histórico entre as potências, conforme sinalizado pelo presidente americano Donald Trump. As informações são do jornal “Axios”.
Irã critica EUA e promete retaliação
O principal negociador iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, expressou forte descontentamento em sua rede social X. Ele classificou o ataque israelense a Dahiyeh, um subúrbio de Beirute, como evidência da falta de vontade ou capacidade dos Estados Unidos em cumprir seus compromissos.
Qalibaf afirmou que os EUA não obterão concessões ao darem “luz verde” a Israel, e que o jogo de “policial bom e policial mau” está ultrapassado. Ele também indicou que o Irã não deixará os “crimes de Israel no Líbano” sem resposta, segundo a mídia estatal do país.
Trump pede fim dos ataques e cautela nas negociações
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou-se sobre a situação em sua plataforma Truth Social. Trump pediu que as partes envolvidas no conflito não prejudiquem a tentativa de acordo de paz.
“O ataque desta manhã a Beirute não deveria ter acontecido, particularmente em um dia especial em que estamos tão perto de um Acordo de Paz com o Irã”, escreveu Trump. Ele ressaltou que, embora Israel tenha o direito de se defender, o ataque em resposta foi “muito pequeno e insignificante”.
O presidente americano apelou para que “todos os lados recuem”, pedindo o fim dos ataques de Israel no Líbano e, igualmente, ataques do Hezbollah contra Israel. Trump acredita que o acordo trará paz à região, incluindo o Líbano.
Acordo EUA-Irã: detalhes e expectativas
Mediadores do Catar estiveram em Teerã neste domingo para finalizar os detalhes do acordo entre Estados Unidos e Irã. Autoridades regionais, falando sob condição de anonimato, expressaram otimismo cauteloso sobre um entendimento que possa cessar hostilidades e reabrir o Estreito de Ormuz.
O acordo, que pode ser assinado eletronicamente, não resolverá todas as questões complexas, como o programa nuclear iraniano, mas oferecerá uma estrutura de 60 dias para discussões técnicas. O Irã afirma que seu programa nuclear tem fins pacíficos e possui 440,9 quilos de urânio enriquecido a até 60% de pureza, segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Críticos dentro do Partido Republicano de Trump expressaram preocupações, comparando o acordo atual com o acordo nuclear de 2015, do qual Trump retirou os EUA. A expectativa é que Trump discuta a remoção de minas no Estreito de Ormuz durante a cúpula do G7.
