MPF aciona TikTok para remover anúncios de mercúrio para garimpo ilegal na Amazônia, após descobrir 108 postagens com 5,8 milhões de visualizações

VARIEDADES

MPF pede exclusão de perfis do TikTok que anunciam mercúrio para garimpo ilegal

O Ministério Público Federal (MPF) recomendou que a ByteDance Brasil, responsável pelo TikTok no país, remova imediatamente todas as contas que promovem a venda de mercúrio destinado ao garimpo ilegal de ouro. A ação surge após o órgão identificar mais de 100 publicações na plataforma com anúncios da substância, amplamente utilizada em atividades ilícitas, especialmente na região amazônica.

A recomendação foi formalizada em 31 de agosto, como parte de um inquérito civil nacional instaurado para investigar o uso do TikTok na divulgação e negociação ilegal do mercúrio. A iniciativa visa coibir a disseminação de conteúdos que facilitam crimes ambientais e a exposição de populações vulneráveis aos perigos do metal pesado.

O TikTok, em resposta, informou que os conteúdos em questão já foram removidos por violarem as Diretrizes da Comunidade da plataforma, que proíbem a comercialização, marketing ou fornecimento de acesso a produtos regulamentados, proibidos ou de alto risco. Conforme informação divulgada pelo MPF, o monitoramento que detectou as irregularidades ocorreu em agosto de 2026.

Mercúrio: um veneno para a Amazônia e seus habitantes

O mercúrio é um elemento químico essencial no processo de separação do ouro em garimpos, mas sua utilização acarreta graves consequências ambientais e de saúde pública. A substância é **altamente tóxica** para o ser humano, e sua entrada na cadeia alimentar aquática na Amazônia representa um sério risco para as populações indígenas e ribeirinhas.

Os efeitos neurológicos irreversíveis, especialmente em gestantes e crianças, são um dos principais alertas do MPF. A disseminação desses anúncios na plataforma contribui diretamente para a continuidade dessas práticas predatórias e para a contaminação de ecossistemas sensíveis.

Anúncios com alta visibilidade e contatos internacionais

O levantamento do MPF identificou 108 publicações que, somadas, alcançaram mais de 5,8 milhões de visualizações. Os anúncios detalhavam a pureza do mercúrio, frequentemente anunciada como 99,999%, com informações sobre quantidades mínimas para compra e métodos de envio. Três perfis foram especificamente destacados por oferecerem a substância.

Curiosamente, os contatos disponibilizados para negociação em muitas dessas postagens possuíam números associados à China. Os perfis se apresentavam como representantes de fábricas na cidade de Wanshan, conhecida como a “Capital do Mercúrio” na China, sem, contudo, apresentar qualquer registro empresarial ou identificação legal no Brasil.

Estratégias de marketing e migração para outras plataformas

Um dos perfis monitorados parecia ter um direcionamento específico para o público brasileiro, utilizando expressões como “No Brasil”, “Dono de Garimpo” e “Para o seu garimpo”, além de hashtags relacionadas ao garimpo e à mineração no país. Este perfil, segundo o MPF, contava com 7.664 seguidores e 26,3 mil curtidas no momento da análise.

O monitoramento também revelou que as negociações frequentemente migravam para aplicativos de mensagens, como WhatsApp, o que dificultava o rastreamento e o controle das transações. Essa prática expõe ainda mais os compradores e vendedores a riscos, além de dificultar a ação de órgãos de fiscalização.

Medidas exigidas e prazo para resposta do TikTok

Diante do exposto, o MPF solicitou que o TikTok não apenas exclua os perfis identificados, mas também realize buscas ativas para encontrar e remover outros conteúdos ilícitos semelhantes. A recomendação inclui o aprimoramento dos mecanismos de identificação e bloqueio automático de anúncios de substâncias perigosas.

O objetivo é impedir que tais conteúdos sejam recomendados ou amplificados pela plataforma, garantindo que a rede social não sirva como um canal para atividades ilegais e prejudiciais. O TikTok tem um prazo de 30 dias para informar ao MPF sobre o cumprimento da recomendação, as medidas adotadas e se houve impulsionamento pago ou monetização nos perfis investigados.

Adicionalmente, o MPF pediu que a recomendação seja divulgada na página inicial do site e no aplicativo do TikTok por 30 dias, ou que a plataforma publique um comunicado próprio esclarecendo a proibição do comércio de mercúrio. Caso os anúncios sejam mantidos, a rede social deverá exigir comprovação da origem do produto e as devidas autorizações para importação e uso.

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