Europa sob pressão: ‘guerra de drones’ entre Rússia e Ucrânia já afetou mais de 20 países; MAPA
A Europa se encontra em um estado de alerta crescente devido a uma nova frente de conflito que se desenrola nos céus do continente. Relatos de incidentes envolvendo drones, cada vez mais frequentes, têm penetrado o espaço aéreo de países membros da OTAN, alimentando acusações de que Moscou estaria conduzindo uma “guerra híbrida” contra a Europa.
Essa escalada de tensões, que se intensificou nos últimos meses, já registrou a violação do espaço aéreo em ao menos 20 nações europeias. Os incidentes não se limitam às fronteiras imediatas com a Rússia e a Ucrânia, mas se espalham por diversas regiões do continente, indicando uma estratégia mais ampla.
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), uma aliança militar composta por 32 países e criada em 1949 para garantir a segurança mútua, vê com preocupação esses eventos. Conforme avaliação do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), esses atos são vistos como uma campanha coordenada e uma forma de “guerra não convencional” promovida pela Rússia. A informação foi divulgada pelo portal g1.
Polônia e Alemanha no centro da crise de drones
Um dos episódios mais graves ocorreu na Polônia, onde dezenas de drones russos caíram em seu território durante um ataque aéreo à vizinha Ucrânia. Este incidente provocou uma reunião de emergência da OTAN e aproximou a aliança de uma potencial expansão do conflito. Mais recentemente, a Alemanha acusou a Rússia de lançar um drone carregado com explosivos contra um aeroporto, após análise da tecnologia empregada no dispositivo.
A expansão da ‘guerra híbrida’ russa
O termo “guerra híbrida” tem sido cunhado por governos europeus e pela OTAN para descrever ações russas que extrapolam o combate militar convencional. O objetivo seria pressionar, intimidar ou desestabilizar países europeus sem cruzar abertamente a linha de uma guerra declarada. A maior parte dos incidentes reportados envolve o avistamento de drones suspeitos de origem não identificada sobrevoando áreas próximas a infraestruturas vitais ou estratégicas da OTAN.
Países europeus sob vigilância de drones
Além da Polônia e Alemanha, diversos outros países europeus tiveram seu espaço aéreo violado. A Romênia relatou um drone russo atingindo um prédio civil, causando feridos e incêndio. A Estônia mobilizou caças da OTAN para derrubar um drone invasor. Suécia e Dinamarca registraram a queda de um drone russo sobre o Estreito de Oresund. A Moldávia protestou formalmente após a invasão de seu espaço aéreo por drones russos.
A Finlândia e a Bulgária também reportaram incidentes com drones, assim como a Croácia, que viu um drone russo atravessar seu território. Letônia e Lituânia, países bálticos, registraram a queda de drones carregados com explosivos em seus solos em diferentes ocasiões. Estes eventos sublinham a abrangência da chamada “guerra de drones” que afeta o continente europeu.
Avistamentos em larga escala e alvos estratégicos
Um levantamento do IISS, citado pelo g1, aponta dezenas de avistamentos de drones suspeitos em 13 países da OTAN e na Irlanda entre agosto de 2024 e fevereiro de 2026. A Alemanha lidera com 58 avistamentos, seguida pela Bélgica com 25. Esses drones foram vistos sobrevoando aeroportos importantes como Berlim, Munique, Copenhague e Bruxelas, chegando a paralisar operações aéreas comerciais.
Bases militares, incluindo aquelas que abrigam armas nucleares dos EUA, também foram alvo de penetração de drones. Além disso, infraestruturas vitais como estações de energia, gasodutos, cabos submarinos e navios comerciais têm sido alvos de tentativas de sabotagem, evidenciando a natureza multifacetada dessa ameaça. O Reino Unido, em um levantamento próprio, registrou 266 incidentes envolvendo drones em suas bases apenas em 2025, demonstrando a escala do problema.
