EUA Designam PCC e CV como Terroristas em Movimento Estratégico para a América Latina
O governo de Donald Trump nos Estados Unidos anunciou a classificação das facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Esta medida, formalizada na quinta-feira (28), insere-se em uma estratégia mais ampla da Casa Branca voltada para a América Latina, com ênfase no combate ao narcotráfico e na projeção de poder militar.
As duas facções foram inicialmente designadas como “Terroristas Globais Especialmente Designados” e, a partir de 5 de junho, também serão classificadas como “Organizações Terroristas Estrangeiras”. O anúncio ocorreu na mesma semana em que o senador Flávio Bolsonaro se reuniu com Trump e com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, indicando um alinhamento de interesses entre os governos.
Essa possibilidade já vinha sendo ventilada desde 2025, quando o governo Trump intensificou a ofensiva contra cartéis de drogas latino-americanos, tratando o combate ao tráfico como um tema de segurança nacional. Conforme informação divulgada pelo Departamento de Guerra dos Estados Unidos em janeiro, antes deste anúncio, o país publicou sua nova “Estratégia Nacional de Defesa dos EUA”, com o objetivo de assegurar domínio militar e comercial “do Ártico à América do Sul”.
Estratégia de Defesa e Doutrina Monroe
A nova estratégia nacional de defesa dos EUA, apresentada pelo Departamento de Guerra, demonstra a intenção de colaborar com países americanos, mas também alerta para a possibilidade de ações militares caso interesses norte-americanos não sejam atendidos. Um exemplo citado foi a operação que capturou o ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro. Os Estados Unidos buscam, sob o lema “paz por meio da força”, combater o “narcoterrorismo” e se reservam o direito de realizar ataques diretos contra organizações narcoterroristas nas Américas.
Em dezembro de 2024, outro documento da Casa Branca, a Estratégia de Política Externa, indicou um foco maior na América Latina. O realinhamento militar na região se baseia em três elementos principais, buscando reafirmar a Doutrina Monroe, que prega “a América para os americanos”, e combater a influência chinesa. A estratégia visa restaurar a predominância americana no Hemisfério Ocidental, mesmo reconhecendo a dificuldade de reverter relações comerciais já estabelecidas.
Motivações e Impactos da Classificação
Em comunicado oficial, os EUA descreveram o CV e o PCC como “as organizações criminosas mais violentas do Brasil”, com milhares de integrantes e responsáveis por “ataques brutais” contra autoridades e civis. O secretário Marco Rubio destacou que a atuação dessas facções ultrapassa as fronteiras brasileiras, alcançando outros países da região e os próprios Estados Unidos. Essa medida reforça o compromisso da administração Trump em “desmantelar cartéis e organizações criminosas”.
Nos bastidores, o governo brasileiro atuava para impedir essa classificação, temendo que ela abrisse margem para ações mais duras por parte dos Estados Unidos, incluindo a possibilidade de operações militares em solo brasileiro. Especialistas em segurança pública apontam que a legislação brasileira de combate a facções criminosas já prevê penas severas, comparáveis ou até mais duras que a lei antiterrorismo. Informações indicam que o governo brasileiro não foi previamente avisado sobre a decisão americana.
