Investigação da PF revela voo suspeito com políticos e empresário ligado a apostas online.
A Polícia Federal abriu um inquérito para apurar suspeitas de descaminho ou contrabando em uma aeronave particular. A investigação ganhou contornos mais complexos ao revelar a presença de figuras políticas proeminentes a bordo, incluindo o presidente da Câmara, Arthur Lira, e o senador Ciro Nogueira.
Inicialmente focada na conduta de um auditor fiscal suspeito de facilitar contrabando, a apuração da PF identificou que o empresário Fernando Oliveira Lima, sócio de uma empresa de apostas online e investigado na CPI das Bets, também estava no voo.
O caso foi remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF) devido à presença dos parlamentares. Conforme informações divulgadas pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmadas pelo Estadão, o inquérito foi distribuído ao ministro Alexandre de Moraes. A Procuradoria-Geral da República (PGR) agora analisará o caso para determinar os próximos passos.
Voo de Paraíso Fiscal e Suspeitas de Irregularidades
O voo em questão partiu de Saint Martin, uma ilha conhecida como paraíso fiscal no Caribe, e pousou em 20 de abril do ano passado no aeroporto de Catarina, em São Roque (SP), utilizado para aviação executiva. As suspeitas da PF surgiram a partir de uma investigação sobre a conduta do auditor fiscal Marco Canella.
Canella é indiciado em outro inquérito por facilitação de contrabando ou descaminho. No voo investigado, o auditor teria permitido que um funcionário do empresário Fernando Oliveira Lima desembarcasse com sete volumes de bagagem, passando por fora do raio-X. O procedimento irregular foi capturado por câmeras de segurança.
Parlamentares a Bordo: Motta, Nogueira e Outros Deputados
A presença dos parlamentares no voo de Fernando Oliveira Lima, que ocorreu enquanto a CPI das Bets estava ativa no Senado, levantou a necessidade de remeter o caso ao STF. Além de Arthur Lira e Ciro Nogueira, também estavam na aeronave os deputados Doutor Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL).
As malas dos parlamentares passaram pelo procedimento normal de raio-X. No entanto, ainda não é possível determinar se as bagagens transportadas irregularmente continham itens pertencentes aos políticos. Um relatório parcial da PF sugere que a continuidade das investigações pode indicar o envolvimento de algum dos parlamentares nos crimes apurados.
Empresário e Auditor Fiscal Sob Investigação
O empresário Fernando Oliveira Lima, dono da aeronave, é sócio de uma empresa de apostas online e sua presença no voo coincide com o período em que era investigado na CPI das Bets. Lima, assim como o auditor fiscal Marco Canella, foi procurado pela reportagem, mas ainda não se manifestou sobre o caso.
A PF suspeita que o conteúdo das bagagens desembarcadas irregularmente possa ser ilegal, especialmente por se tratar de um voo vindo de um paraíso fiscal e envolver um auditor fiscal já indiciado por crimes relacionados a contrabando. A investigação busca identificar os donos das bagagens e a natureza de seus conteúdos.
Despacho da PF e Encaminhamento ao STF
Em seu despacho, a PF destacou a necessidade de o caso tramitar perante o STF caso as investigações indiquem a participação de outras pessoas além do auditor fiscal, e se houver envolvimento de algum dos mencionados no voo. A corporação considerou “temerária a continuidade das investigações sem a apreciação de tal situação pelo Poder Judiciário”.
O inquérito chegou ao STF e foi distribuído ao ministro Alexandre de Moraes, que enviou o caso para análise da PGR. A Procuradoria-Geral da República deverá emitir seu parecer sobre a existência de indícios de crimes que justifiquem uma investigação formal perante a Suprema Corte.
