Polícia investiga morte de bebê prematura em RO após pais denunciarem falta de materiais básicos no hospital

RONDONIA

Polícia apura morte de recém-nascida em Porto Velho após pais relatarem falta de materiais básicos no hospital

A Polícia Civil de Rondônia iniciou uma investigação sobre a morte da bebê Stefany Dandara, que faleceu na última terça-feira (21) após ficar cerca de 47 dias internada no Hospital de Base, em Porto Velho. A família acusa o Estado de negligência, alegando que a falta de materiais essenciais no hospital comprometeu o tratamento da criança.

Stefany Dandara nasceu prematura, com sete meses de gestação, no dia 4 de março. Ela foi diagnosticada com corioamnionite, uma inflamação aguda causada por infecção no líquido amniótico, que pode levar à ingestão do fluido contaminado pelo bebê, disseminando a infecção pelo organismo. A família relata que, durante a internação, faltaram insumos cruciais para o cuidado de recém-nascidos.

Conforme informações divulgadas pela família, itens como máscaras, esparadrapo, curativos e sondas gástricas de qualidade não estavam disponíveis na unidade hospitalar. O pai, César Ferreira, e a mãe, Crislaine Vitória, afirmam ter tido que arcar com os custos de materiais básicos, incluindo sondas, para garantir o tratamento adequado da filha. A falta de uma sonda gástrica adequada, por exemplo, teria levado a uma situação em que o leite entrava muito rápido, causando vômitos que, em uma ocasião, resultaram na aspiração do líquido para os pulmões da bebê.

Investigação policial e acusações de negligência

A família de Stefany Dandara registrou boletim de ocorrência e buscou órgãos de controle, como a Defensoria Pública de Rondônia, que acompanha o caso. O defensor Sérgio Muniz confirmou que um procedimento preliminar foi instaurado para apurar as circunstâncias da morte e que ofícios foram enviados à direção do hospital e à Secretaria de Saúde para solicitar informações.

O defensor ressaltou que as famílias e as crianças atendidas pelo SUS têm o direito à saúde garantido pela Constituição Federal e pelas leis. A família alega que, mesmo com os materiais que conseguiram adquirir, o sofrimento e as dificuldades foram imensos, levantando a preocupação sobre as condições de outros bebês cujas famílias não têm recursos para comprar os insumos necessários.

Estado da bebê e complicações médicas

Segundo a família, após um período de melhora no quadro infeccioso inicial, Stefany Dandara desenvolveu uma nova infecção, desta vez adquirida no ambiente hospitalar. Essa nova infecção desencadeou uma série de outras complicações de saúde, levando ao seu falecimento. A mãe, Crislaine Vitória, também mencionou a falta de itens básicos de higiene, como gaze e lenços de limpeza, durante a internação.

Posicionamento da Secretaria de Saúde

Em nota oficial, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) esclareceu que a bebê prematura apresentava um quadro clínico extremamente grave desde a internação no Hospital de Base Dr. Ary Pinheiro. A Sesau afirmou que a criança recebeu assistência intensiva contínua, com suporte avançado de vida, incluindo ventilação mecânica, medicamentos vasoativos e antibióticos de amplo espectro.

A pasta informou que, apesar de todos os esforços da equipe médica, o quadro evoluiu para falência múltipla de órgãos, uma condição associada a altas taxas de mortalidade em recém-nascidos prematuros. A Secretaria de Saúde assegurou que todas as condutas médicas adotadas foram técnicas, éticas e tempestivas, compatíveis com a gravidade extrema do caso. A Sesau lamentou o desfecho e manifestou solidariedade à família, reafirmando o compromisso com o cuidado dos pacientes, mesmo em situações de altíssimo risco.

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