Centro de Porto Velho: Um Retrato da Capital em Crise Econômica
O coração comercial de Porto Velho, mais especificamente o centro da cidade, atravessa um período de intensa deterioração. Nos últimos tempos, o anúncio do encerramento das atividades por três empresas, duas delas com mais de uma década de história, acendeu um alerta sobre a saúde econômica local.
Os problemas multifacetados incluem a localização de alguns estabelecimentos, mas são impulsionados principalmente pela queda acentuada das vendas em lojas físicas, o crescimento avassalador das vendas online e as dificuldades de crédito agravadas por juros elevados no mercado financeiro.
Estima-se que, apenas no corredor que abrange as avenidas 7 de Setembro e Carlos Gomes, mais de 60 negócios fecharam as portas desde o início de 2024, evidenciando os desafios de sobrevivência para o comércio local, conforme noticiado na coluna “Teia Digital” de Silvio Persivo.
Queda do Consumo Preocupa Empresários Rondonienses
Apesar de Rondônia apresentar uma situação relativamente melhor que outros estados brasileiros, a retração do consumo tornou-se a principal preocupação para muitos empresários. Raniery Araújo Coelho, presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia (Fecomércio/RO), mesmo com expectativas positivas para o fim do ano, destacou que a queda no consumo superou os juros como fonte de apreensão.
Uma pesquisa nacional do Índice Mercado & Opinião (IMO), referente a setembro/outubro, corrobora essa visão. Para 34% dos participantes, a queda do consumo é o maior risco até dezembro, enquanto 11,3% apontam diretamente os juros elevados. A projeção para o comportamento do consumidor é sombria: 71,7% esperam uma redução moderada ou significativa do consumo até o fim do ano.
A nota média de otimismo dos empresários ficou em 4,96, abaixo do patamar considerado confortável. Com crédito caro e demanda fraca, a preservação dos negócios entra no radar. Em Porto Velho, a prioridade se divide entre o crescimento de vendas e a preservação de caixa, enquanto expansões e novos investimentos são mantidos com cautela ou adiados, em um visível movimento de ajuste.
Rondônia se Destaca na Cacauicultura Nacional
Em um contraponto positivo, o cacau produzido em Rondônia conquistou sete vagas entre os 20 finalistas do VIII Concurso Nacional de Cacau Especial. Este resultado reforça o protagonismo da cacauicultura rondoniense, que também liderou em número de inscrições na competição. O concurso recebeu 126 amostras de 101 produtores de sete estados, sendo 44 de Rondônia, graças ao apoio do Sebrae.
Aumento Alarmante do Superendividamento no Brasil
O cenário econômico nacional também é marcado pelo aumento expressivo do endividamento. Segundo o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central (BC), em junho de 2026, 20,3 milhões de brasileiros estavam em situação de endividamento de risco, um crescimento de 75% em cinco anos. Isso representa 17% dos devedores do Sistema Financeiro Nacional.
Diante desse quadro, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, anunciou que novas medidas serão tomadas para conter ofertas agressivas de crédito. O relatório detalha que 42% da renda de pessoas que ganham até dois salários mínimos está comprometida com dívidas, e 15% dessa parcela é destinada ao cartão de crédito. Para quem ganha mais de dez salários mínimos, o comprometimento total da renda chega a 18,6%.
Disparo de Preços Reflete Incertezas Econômicas
O Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo (IBEVAR) analisou a cobertura midiática sobre as eleições no Brasil em 36 países, constatando um viés majoritariamente factual e favorável ao então candidato Lula na Europa. No entanto, os indicadores econômicos contam outra história.
O DI (taxa de depósito financeiro) para janeiro de 2028 saltou mais de 200 pontos-base, o dólar subiu mais de 8% e o Ibovespa caiu 13,9%, anulando ganhos mensais em um único pregão. Esses movimentos, classificados como atípicos, indicam uma leitura negativa dos mercados sobre a credibilidade fiscal, a governabilidade e o limite de endividamento das famílias. Conforme salientou Claudio Felisoni, Presidente do IBEVAR, os preços refletem “credibilidade fiscal fortemente comprometida, incerteza sobre a governabilidade e limite atingido de endividamento das famílias”.
