Trump volta a criticar a OTAN e cita Groenlândia: ‘Pedaço de gelo mal administrado’
O presidente Donald Trump intensificou suas críticas à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) nesta quarta-feira (8), após um encontro a portas fechadas com o Secretário-Geral da aliança militar, Mark Rutte, na Casa Branca. Trump usou sua rede social, Truth Social, para expressar sua frustração, afirmando que a OTAN “não estava lá quando precisamos deles e não estará se precisarmos novamente”.
Em um post que gerou repercussão, o presidente americano mencionou especificamente a Groenlândia, descrevendo-a como um “grande pedaço de gelo mal administrado!!!”. A declaração surge em um contexto de crescentes questionamentos de Trump sobre o papel e a contribuição dos aliados europeus para a segurança coletiva e para os interesses americanos em conflitos globais.
Horas antes da reunião com Rutte, a Casa Branca já havia acusado a OTAN de “dar as costas” aos Estados Unidos durante a recente escalada de tensões com o Irã. A secretária de imprensa Karoline Leavitt declarou que a aliança “foi posta à prova e falhou”, ecoando o sentimento de decepção do presidente. A possibilidade de uma retirada americana da OTAN, embora não confirmada, foi mencionada como um tema que poderia ser discutido.
Decepção com a Aliança Militar e Plano de Punições
O Secretário-Geral da OTAN, Mark Rutte, descreveu sua conversa com Trump como “franca e aberta”, reconhecendo a decepção do presidente dos EUA com os aliados europeus. A OTAN, uma aliança militar composta por mais de 30 países, incluindo EUA e nações europeias, tem os Estados Unidos como um pilar central desde sua fundação em 1949. No entanto, Trump tem persistentemente cobrado uma maior participação financeira e operacional dos demais membros.
Em resposta à percepção de falta de apoio, o jornal The Wall Street Journal revelou que a administração Trump estaria elaborando um plano para punir países da OTAN considerados “prejudiciais” aos interesses americanos, especialmente em relação à guerra contra o Irã. Uma das hipóteses em estudo seria a transferência de tropas americanas de alguns países para outras nações que demonstraram maior apoio à ofensiva americana no Oriente Médio, como Polônia, Romênia, Lituânia e Grécia.
Bases Militares e Futuro da OTAN em Jogo
O plano de retaliação também contemplaria a possibilidade de o fechamento de uma base militar dos EUA na Europa, com a Espanha ou a Alemanha sendo potenciais locais afetados, segundo o WSJ. Antes do encontro, o Secretário de Estado americano, Marco Rubio, conversou com Rutte sobre as operações militares contra o Irã, a guerra na Ucrânia e a necessidade de reforçar a coordenação e a divisão de encargos entre os aliados da OTAN. Rutte busca apelar para sua relação pessoal com Trump, a quem já elogiou publicamente, a fim de mitigar as críticas à aliança.
Aliados Europeus Sob Pressão e Aumento de Gastos com Defesa
A ofensiva americana contra o Irã, iniciada no fim de fevereiro e atualmente em pausa, expôs divisões entre os aliados. Enquanto Trump critica a falta de apoio, especialmente de países europeus, para os EUA e Israel, a OTAN tem implementado medidas para fortalecer sua defesa. Em 2025, os membros da aliança aprovaram um aumento significativo nos gastos com defesa, com metas estabelecidas até 2035. A tensão gerada pelas críticas de Trump levanta questões sobre a coesão e o futuro da OTAN em um cenário geopolítico cada vez mais complexo.
