Criança Brasileira Sonhava com o Brasil, Mas Morreu em Ataque Israelense no Líbano; Pais Naturalizados Também Vítimas

BRASIL

Tragédia no Líbano: Menino brasileiro com sonho de conhecer o país natal de seus pais morre em ataque, junto com a família.

O pequeno Ali Ghassan Nader, de apenas 11 anos, cuja vida foi tragicamente interrompida em um ataque israelense no sul do Líbano, nutria um profundo desejo de conhecer o Brasil. Lá, seus pais construíram uma vida por cerca de duas décadas, um sonho que a violência impediu de se realizar.

A notícia foi compartilhada pelo tio da criança, Mohamad Ali Kassem Jaafar, que expressou a dor e a incredulidade diante da perda. O menino, seus pais Ghassan Nader e Manal Jaafar, todos naturalizados brasileiros, faleceram no mesmo bombardeio no domingo, 26 de maio, horas após o anúncio de um cessar-fogo.

A morte da família, confirmada pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil, chocou parentes e amigos. O tio relatou a dificuldade em compreender o motivo de tamanha brutalidade contra uma criança. “O que significa perder um menino de 11 anos? Ele tinha o sonho de conhecer o Brasil, onde os pais dele viveram, trabalharam, onde os irmãos estudaram. Por que matar esse sonho? O que essa criança fez? Não dá para entender”, desabafou.

Um Sonho Brasileiro Interrompido pela Guerra

Ali Ghassan Nader, nascido no Líbano, era um admirador confesso da Seleção Brasileira de futebol. Seus pais, Ghassan Nader e Manal Jaafar, haviam se mudado para Foz do Iguaçu, no Paraná, na década de 1990. Na cidade paranaense, construíram sua vida, obtiveram a naturalização brasileira e tiveram três filhos antes do nascimento de Ali.

A família permaneceu no Brasil até 2010. Segundo o tio, a decisão de retornar ao Líbano partiu de uma visita ao país, que acabou se estendendo. “Eles decidiram voltar em 2010. Era para ser uma visita, mas o irmão dele faleceu e eles optaram por ficar. Mesmo assim, sempre mantiveram o amor pelo Brasil e ensinaram isso aos filhos”, explicou.

Retorno ao Líbano e a Tragédia do Cessar-Fogo

A família havia se deslocado do sul do Líbano para a capital, Beirute, no início dos conflitos. Após a divulgação de um acordo de cessar-fogo, decidiram retornar à sua residência no sul, um local que se tornaria palco da tragédia. O tio de Ali esteve com a família um dia antes do ataque, passando a noite na casa.

“No dia, eu estava em Beirute. Fiquei sabendo do ataque e fui direto para o sul. A casa, de três andares, estava toda no chão. É um terror. A gente não conseguiu encontrar os corpos. Eu mesmo procurei com as minhas mãos”, relatou, visivelmente emocionado.

Ataques Persistem Apesar do Cessar-Fogo

No domingo, 26 de maio, o Exército israelense lançou novos ataques no sul do Líbano, contrariando o cessar-fogo em vigor com o Hezbollah. A agência de notícias francesa RFI informou que pelo menos 14 pessoas morreram e 37 ficaram feridas nesses ataques. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil condenou veementemente as ações, classificando-as como violações inaceitáveis do acordo.

O Brasil tem defendido a saída imediata das tropas israelenses do Líbano e a extensão do cessar-fogo ao país, garantindo sua soberania. A embaixada brasileira em Beirute está em contato com os familiares para oferecer assistência. O cessar-fogo, anunciado inicialmente por 10 dias em 16 de abril, foi prorrogado por mais três semanas, mas a efetividade do acordo tem sido questionada diante de ataques contínuos de ambas as partes.

Luto e Solidariedade do Brasil

O corpo de Ali Ghassan Nader foi sepultado na segunda-feira, 27 de maio. Até o momento da publicação desta reportagem, os corpos de seus pais ainda não haviam sido localizados. Um dos irmãos de Ali, que estava na casa durante o ataque, sobreviveu, assim como outros dois filhos do casal que não se encontravam no local no momento da tragédia.

O impacto da perda se estende a outras crianças da família, como o próprio filho do tio de Ali, que tem a mesma idade do menino falecido e sente profundamente a ausência do primo. O Brasil, através do Itamaraty, expressou suas mais sinceras condolências aos familiares das vítimas e reiterou sua veemente condenação a todos os ataques que ocorreram durante o período de trégua.

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