Lula critica Donald Trump por “ameaçar com guerra” e descarta envio de petróleo a Cuba
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em entrevista à revista alemã Der Spiegel. Lula afirmou que Trump “não pode ficar ameaçando outros países com guerra o tempo todo” e que o líder norte-americano “não foi eleito imperador do mundo”.
A declaração foi dada em um momento em que o presidente brasileiro iniciou uma viagem à Europa, com compromissos na Alemanha, Espanha e Portugal. A fala de Lula ecoa preocupações globais sobre a retórica beligerante de alguns líderes e a instabilidade internacional.
Na mesma entrevista, Lula também explicou a decisão do Brasil de não enviar petróleo ou derivados a Cuba, citando a necessidade de evitar impactos negativos na Petrobras, cujas ações são negociadas na bolsa de Nova York. As informações foram divulgadas nesta quinta-feira (16). Conforme a entrevista concedida à Der Spiegel.
Reforma da ONU e críticas ao Conselho de Segurança
Lula reiterou a defesa por mudanças na composição do Conselho de Segurança da ONU, argumentando que o órgão precisa de novos membros permanentes, com representação da África, Oriente Médio, Brasil e Alemanha. Ele questionou a lógica de que os maiores produtores de armas e detentores de armas nucleares sejam os membros permanentes.
“Como explicar que justamente os cinco membros permanentes sejam os maiores produtores de armas?”, questionou o presidente, citando intervenções militares de membros permanentes como França e Reino Unido na Líbia, invasão dos EUA no Iraque, ataque da Rússia à Ucrânia e a situação em Gaza envolvendo Israel.
O presidente também mencionou que pediu aos líderes da China, Rússia e França que fosse convocada uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para discutir o conflito envolvendo o Irã, mas sentiu que “ninguém deu ouvidos”. Lula expressou preocupação com o impacto de conflitos em países pobres, que acabam arcando com o aumento dos preços de alimentos básicos.
Relação com Cuba e eleições no Brasil
Sobre a relação com Cuba, Lula afirmou que o Brasil pode enviar medicamentos e alimentos, mas não petróleo, para não prejudicar a Petrobras. Ele destacou que Cuba demonstrou que “Lula não deve tomar nenhuma medida que prejudique o Brasil”.
O presidente também abordou a possibilidade de concorrer à reeleição em outubro, indicando que a decisão dependerá da convenção do PT, mas que está se “preparando” para essa eventualidade. Lula declarou estar com a saúde em dia e com vontade de viver até os 120 anos.
Em relação a uma possível disputa com Flávio Bolsonaro, que apareceu empatado com o presidente em pesquisas, Lula afirmou que respeitará as urnas, caso seja derrotado. Contudo, demonstrou confiança na vitória e na consolidação da democracia brasileira, criticando a “ideologia de direita que domina o mundo” por espalhar “ódio e mentiras”.
Compromissos na Europa
A entrevista ocorreu na véspera da viagem de Lula à Europa, que inclui visitas à Espanha, Alemanha e Portugal. Na Alemanha, o presidente participará da abertura da Feira de Hannover, um importante evento de tecnologia industrial, onde o Brasil será o país-parceiro.
Lula também comentou um episódio com o chanceler alemão Friedrich Merz, que expressou satisfação em retornar à Alemanha após visitar Belém. Lula respondeu que, ao viajar para a Alemanha, gosta de experimentar comidas locais, como salsichas de rua, demonstrando uma abordagem cultural em suas viagens internacionais.
