Netanyahu determina liberação de acesso ao Cardeal Pizzaballa na Igreja do Santo Sepulcro após bloqueio policial.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, interveio neste domingo (29) para reverter a decisão da polícia que impediu o cardeal Pierbattista Pizzaballa de acessar a Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém. A ordem de Netanyahu autoriza a realização de celebrações religiosas no local, pondo fim a um impasse que gerou forte repercussão internacional.
O incidente ocorreu no Domingo de Ramos, início da Semana Santa, quando o cardeal foi barrado na entrada da igreja. O Patriarcado Latino de Jerusalém classificou a ação como inédita em séculos e um grave ataque à liberdade de culto, recebendo críticas de diversas nações, incluindo o Brasil, França, Espanha e Itália.
Segundo Netanyahu, a orientação para a liberação foi dada assim que ele tomou conhecimento do caso. Ele afirmou ter instruído as autoridades a garantir acesso total e imediato ao cardeal, permitindo a realização dos serviços religiosos. A decisão de fechar locais sagrados na Cidade Velha, incluindo os cristãos, muçulmanos e judeus, foi justificada pela polícia como medida de segurança devido à guerra e a ataques com mísseis balísticos, com fragmentos caindo perto do Santo Sepulcro.
Justificativas e Críticas ao Bloqueio Religioso
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou que a proibição de acesso ao cardeal Pizzaballa foi motivada por preocupações com sua segurança, devido à proximidade de ataques iranianos com mísseis. Ele explicou que, em geral, Israel pediu aos fiéis de todas as religiões que se abstivessem temporariamente de frequentar locais sagrados na Cidade Velha, visando proteger os cidadãos.
No entanto, moradores locais e autoridades religiosas contestaram a aplicação consistente dessas restrições. Eles apontaram que pregadores muçulmanos acessaram a Mesquita de Al-Aqsa durante o Ramadã e o Eid al-Fitr, e que funcionários de limpeza puderam realizar rituais no Muro das Lamentações antes do Pessach. O Patriarcado do Santo Sepulcro informou que a missa seria privada, mas o acesso foi negado mesmo assim.
Reações Internacionais e o Brasil Condena a Ação
O Brasil, por meio do Ministério das Relações Exteriores, condenou veementemente a ação policial, classificando-a como grave e contrária ao status quo histórico dos locais sagrados e à liberdade de culto. O comunicado brasileiro fez referência a um parecer consultivo da Corte Internacional de Justiça de 2024, que declarou a presença de Israel no Território Palestino Ocupado como ilícita.
Líderes de outros países também se manifestaram. O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, criticou o que chamou de ataque injustificado à liberdade religiosa. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, considerou a ação uma ofensa a fiéis e comunidades que valorizam a liberdade religiosa, com o ministro Antonio Tajani convocando o embaixador de Israel para esclarecimentos. O presidente francês, Emmanuel Macron, condenou a decisão, que se soma a um aumento preocupante de violações do estatuto dos Lugares Santos em Jerusalém.
Restrições Abrangem Diversas Crenças Durante Períodos Sagrados
As restrições policiais na Cidade Velha de Jerusalém afetaram celebrações importantes para diferentes religiões neste ano. Além do impedimento ao cardeal Pizzaballa no Domingo de Ramos, a Mesquita de Al-Aqsa esteve praticamente vazia durante o Ramadã, e poucos fiéis compareceram ao Muro das Lamentações na véspera do Pessach. A Igreja do Santo Sepulcro, local de crucificação e ressurreição de Jesus segundo a tradição cristã, é um dos principais santuários do cristianismo e costuma atrair multidões durante a Semana Santa.
Apesar das justificativas de segurança apresentadas por Netanyahu, a alegação de que a medida foi apenas por preocupação com a segurança do cardeal Pizzaballa não convenceu autoridades e fiéis. A situação ressalta as tensões contínuas em torno do acesso e da gestão de locais sagrados em Jerusalém, especialmente em contextos de conflito e restrições de segurança.
