Trump adia ultimato contra o Irã por 2 semanas e sinaliza reabertura do Estreito de Ormuz após pedido do Paquistão; acordo pode estar próximo

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Trump adia ultimato contra o Irã por 2 semanas e sinaliza reabertura do Estreito de Ormuz após pedido do Paquistão; acordo pode estar próximo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (7) o adiamento por duas semanas do ultimato contra o Irã. A decisão, descrita como um ‘cessar-fogo de dois lados’, foi motivada por um pedido de autoridades do Paquistão, que mediariam conversas indiretas entre os dois países. Teerã confirmou o acordo e a segurança da passagem pelo Estreito de Ormuz, rota vital para o transporte de petróleo mundial.

Trump havia estabelecido um prazo até as 21h desta terça-feira (horário de Brasília) para que o Irã chegasse a um acordo com os EUA e reabrisse o Estreito de Ormuz. Em postagem na rede social Truth Social, o presidente americano afirmou que todos os objetivos militares dos EUA no Irã já foram cumpridos e que as negociações para um acordo definitivo de paz estão avançadas.

Segundo Trump, os EUA receberam uma proposta de plano de paz do Irã com 10 pontos, considerada uma base viável para negociação. Ele declarou que quase todos os pontos de divergência já foram acordados entre os dois países, e que o período de duas semanas permitirá a finalização e conclusão do acordo. Conforme autoridades da Casa Branca, Israel também fará parte da trégua, e a mídia israelense informou que o cessar-fogo inclui o Líbano. As conversas entre negociadores dos EUA e Irã começarão na próxima sexta-feira (10), em Islamabad, Paquistão, conforme confirmado pelo Ministério das Relações Exteriores do Irã.

Irã confirma acordo e segurança do Estreito de Ormuz

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, confirmou o fechamento de um acordo com os Estados Unidos. Segundo ele, Teerã suspenderá ações defensivas desde que os ataques contra o país sejam interrompidos. Araghchi assegurou que a passagem pelo Estreito de Ormuz será segura durante a trégua, sob certas condições. O ministro iraniano também mencionou que os EUA pediram negociações com base em uma proposta americana de 15 pontos, enquanto Washington aceitou um plano de 10 pontos do Irã como base para o diálogo.

Proposta iraniana de 10 pontos para a paz

A TV estatal do Irã classificou o acordo como um “recuo humilhante de Trump” e afirmou que os EUA aceitaram os termos de Teerã, embora a mídia iraniana também tenha dito que a trégua não representa o fim da guerra. Segundo Teerã, a proposta de paz enviada ao país exige o fim das sanções dos EUA, o pagamento de compensação integral e a liberação de todos os ativos iranianos congelados. A agência Mehr, controlada pelo governo iraniano, detalhou os 10 pontos apresentados pelo Irã aos EUA, incluindo não agressão, permanência do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz, aceitação do enriquecimento de urânio pelo Irã, suspensão de todas as sanções, revogação de resoluções da ONU e da AIEA, pagamento de indenização, e retirada das forças de combate dos EUA da região, além da cessação da guerra em todas as frentes.

Tensão internacional e possíveis impactos globais

As ameaças de Trump haviam elevado a tensão internacional, com alertas sobre possíveis crimes de guerra em caso de ataques a alvos civis iranianos. O impasse aumentou o temor de uma escalada no conflito, com potenciais impactos globais. Um eventual ataque dos EUA a usinas iranianas poderia interromper o fornecimento de energia para milhões de pessoas e causar um colapso elétrico e econômico no país. Havia também temores de acidentes radiológicos graves em instalações nucleares, com impactos que poderiam ultrapassar as fronteiras do Irã.

Ataques anteriores e retaliações no Oriente Médio

Horas antes do prazo estabelecido por Trump expirar, bombardeios foram registrados no Oriente Médio. Os Estados Unidos atacaram a ilha de Kharg, que concentra cerca de 90% do petróleo produzido no Irã, mas pouparam áreas petrolíferas. Israel também afirmou ter realizado “amplos ataques” no território iraniano, visando pontes, ferrovias, aeroportos e edifícios, incluindo uma ponte em Qom e uma petroquímica. O Irã reagiu, convocando a população a formar escudos humanos e afirmando que a “boa vizinhança” com países do Golfo chegou ao fim, com ataques lançados contra Emirados Árabes Unidos, Catar e Bahrein.

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