Operação Reduto em Rondônia: PF investiga vazamento de informação que pode ter alertado 11 servidores da ALE-RO um dia antes
A Polícia Federal (PF) iniciou uma investigação para apurar um possível vazamento de informações da Operação Reduto. A ação, deflagrada na última sexta-feira (10), mira um esquema de fraude em licitações, desvio de recursos públicos e a prática conhecida como “rachadinha” em Rondônia. A suspeita é que detalhes sobre o cumprimento dos mandados de busca e apreensão e de afastamento de servidores tenham sido divulgados um dia antes, o que poderia ter comprometido os resultados da operação.
O Ministério Público de Rondônia (MP-RO) confirmou a investigação sobre o vazamento. A Operação Reduto teve como alvos servidores da prefeitura de Ariquemes e da Assembleia Legislativa de Rondônia (Alero). Na Alero, a PF apreendeu documentos, mídias e outros materiais que são cruciais para o aprofundamento das investigações.
Entre os alvos da operação está o presidente da Alero, deputado estadual Alex Redano (Republicanos). As buscas ocorreram em seu gabinete e na Secretaria-Geral da Presidência da Casa, além de um apartamento em Porto Velho e uma residência em Ariquemes. Conforme divulgado pela Polícia Federal, as investigações tiveram início em 2024, após relatos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontarem movimentações financeiras suspeitas envolvendo uma empresa de Manaus que possuía contratos públicos em Rondônia. A PF identificou movimentações financeiras superiores a R$ 9 milhões, consideradas incompatíveis com a capacidade econômica declarada pelos investigados.
Esquema de Fraudes e Desvio de Verbas em Rondônia
A investigação aponta que o grupo criminoso atuava em duas frentes principais. A primeira frente era responsável por fraudar licitações e direcionar contratos públicos no município de Ariquemes. Essa prática visava beneficiar empresas específicas, garantindo a obtenção de contratos sem a devida concorrência.
A segunda frente investigada envolvia o desvio de recursos públicos por meio de contas de servidores comissionados da Assembleia Legislativa de Rondônia. Essa modalidade, classificada pela PF como “rachadinha”, ocorre quando um assessor devolve parte de seu salário ou o valor integral ao agente político. Essa prática configura um desvio direto de verbas públicas, utilizando os servidores como intermediários.
Medidas Judiciais e Bloqueio de Bens
Além do afastamento de 11 servidores e das prisões de dois investigados, a Justiça determinou o bloqueio de bens, ativos financeiros e criptoativos dos envolvidos. O valor total bloqueado pode chegar a R$ 9 milhões. Durante a operação, também houve apreensão de dinheiro em espécie na cidade de Manaus. Segundo a PF, essas medidas visam reunir novos elementos e aprofundar as investigações sobre o esquema.
A Prefeitura de Ariquemes informou que está colaborando com as autoridades, fornecendo os documentos e informações solicitados. A administração municipal declarou que, até o momento, não há conclusões de irregularidade envolvendo a prefeitura e que os serviços públicos seguem operando normalmente. A Assembleia Legislativa de Rondônia (Alero) também se colocou à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos, reafirmando seu compromisso com os princípios de transparência e legalidade em seus processos de contratação.
Investigação sobre Vazamento Prejudica Andamento da Operação
A investigação sobre o possível vazamento de informações é um ponto crucial. A Polícia Federal quer entender como os detalhes da Operação Reduto podem ter chegado aos investigados antes do cumprimento dos mandados. Um vazamento prévio pode ter permitido que provas fossem ocultadas ou destruídas, dificultando o trabalho da justiça e a identificação de todos os envolvidos no esquema de fraude e desvio de verbas públicas.
A Rede Amazônica tentou contato com o deputado estadual Alex Redano, presidente da Alero, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. A empresa citada pela Polícia Federal como parte do esquema também foi procurada, mas não foi localizada para comentar o caso. A investigação segue em andamento, com a PF buscando esclarecer todas as pontas soltas, incluindo a suspeita de vazamento que pode ter beneficiado servidores da Alero e outros envolvidos na Operação Reduto.
